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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Carbocisteína e ácido glioxílico!

Um dos assuntos que mais me pedem pra colocar no blog é sobre a escova progressiva de carbocisteína, a qual eu mesma já testei (confira aqui).
A carbocisteína hoje está presente em muito mais produtos do que as pessoas imaginam. Muitas vezes a cliente pensa que está fazendo uma reconstrução capilar com um super hidratante, mas na verdade o que está sendo usado é a carbocisteína. Sabe por quê? Já explico!
Por causa de impasses quanto ao tipo de registro de produtos contendo esse ativo, hoje a carbocisteína não é considerado alisante pela ANVISA. Logo, se vocês prestarem atenção, todos os produtos que contém carbocisteína NÃO tem no rótulo os dizeres “alisante”, “produto de alisamento”, ou qualquer coisa do tipo. Muitos trazem dizeres do tipo: “plástica capilar”, “plástica dos fios”, “hidratante capilar” (veja bem, não é condicionador!), “redutor de volume”. É o jeito para por o produto no mercado!
Bom, a cisteína é um aminoácido comum ao nosso cabelo. Ela faz parte das ligações de cistina que dão o formato final: crespo, liso, ondulado. Segundo o livro The Science of Hair Care, escrito por profissionais da L’Oreal, a cisteína tem uma ação similar a do tioglicolato para o alisamento capilar, contudo, ela é uma molécula instável, que pode precipitar (separar fase na formulação) durante o processo químico, deixando o alisamento incompleto.

De tudo que eu li, de todas as informações que eu juntei, O MEU PONTO DE VISTA É:

A carbocisteina (na foto inicial) é uma molécula que deve ser mais estável em cosméticos que a cisteína, por isso ela é usada nesses alisamentos. Contudo, pra que ela tenha ação, é necessário um processo de oxidação das ligações de cistina. Pra isso é necessário um oxidante para auxiliar no processo, e é ai que entra o ÁCIDO GLIOXÍLICO. Ele é um oxidante que auxiliaria a carbocisteína no processo de alisamento. Fora isso, o calor que é aplicado sobre o produto também favorece esses processos de oxidação, por isso a importância da chapinha beeeem quente sore o produto no cabelo (e por isso que nem todos os produtos precisam ter o ácido glioxílico).
Mesmo assim, esses ativos não tem a mesma potência que o tioglicolato. Além do que, os processos de oxidação são favorecidos no pH alcalino e a carbocisteína para agir tem que estar em pH ácido. Logo a ação dela é muito mais BRANDA e SUPERFICIAL. Eu digo superficial porque as cadeias de queratina são completamente enoveladas, é necessário “força” (pH mais alcalino) do produto para “ir a fundo” (mais dentro desses “novelos”), entende? Com isso, o resultado que se tem é apenas uma redução de volume, redução de ondulação, mas não alisamento total. E é por isso que muitos cabeleireiros usam esses produtos para processos como: “selagem térmica”, “hidratação profunda”, “blindagem”, “plástica capilar”. O uso de produtos com carbocisteína ajeita os cabelos, reduz o volume, “doma a juba”, e como são menos agressivos não danificam tanto (não ressecam tanto). Como resultado parece que o cabelo está mais hidratado e tratado!
Mas não se iluda, assim como todos os processos químicos (luzes, coloração, alisamentos) ele também danifica um pouco o cabelo! Menos que muitos outros, mas também tem a sua parcela de dano!

E ai, ficou alguma dúvida?

Bju
Denise


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

pH... einh?!

Ah... esse tal de pH. Em tudo que é cosmético ele aparece: “pH neutro”, “pH balanceado”, “pH ácido”... MAS MEU DEUS, O QUE ISSO QUER DIZER?!?

Calma, é mais simples (ou mais complicado) do que parece!

O pH é o potencial hidrogeniônico (= potencial + hidrogênio + iônico), indica a concentração de íons H+ em um meio. E é assim mesmo que se escreve, com p minúsculo e H maiúsculo! Em palavras mais simples, o pH é um índice que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer.

Imagine uma balaça:

- De um lado estão os valores que indicam acidez (de 0 a 6,9), quanto mais perto de zero mais ácido é.
- Do outro lado estão os valores que indicam alcalinidade (de 7,1 a 14), quanto mais próximo de 14 mais alcalino (“adstringente”) é.
- O meio da balança, ou em outras palavras o equilíbrio de tudo, é a neutralidade (7).

Mas o que tem a ver esse tal de pH com os cosméticos??? TUDO!
Nosso corpo apresenta diferentes pH dependendo da região. Podendo ir do alcalino ao ácido!!! Porque? Devido à composição química e biológica de cada região! Não existe um pH perfeito para o corpo e outro vilão. A falta de conhecimento sobre “o que é o pH” leva as pessoas a falarem besteiras. Existe, por exemplo, um mito que tudo o que é ácido é prejudicial. Por exemplo:
- Tomara coca-cola prejudica o estômago porque o pH da coca-cola é 2,5. MITO! O pH do estômago é 1,2!!!! Bem mais ácido que o da coca-cola!
- Shampoo tem que ser neutro para não prejudicar os cabelos! MITO! O pH ideal para os cabelos é o mesmo que o da pele: ÁCIDO! Sim! Por volta de 5.

Um vez cheguei a ouvir de um cabeleireiro que o ideal era o shampoo SEM pH (?)!
Ele ainda reforçou que o pH deveria ser zero! Já pensou?? Um shampoo totalmente ácido!!! Nesse pH sim era capaz de dissolver todos os fios!!!

Bom, vamos então para a explicação de alguns cosméticos e seus pHs:
- Shampoo de criança é melhor que seja neutro, pois o pH da lágrima é 7,2. Dessa forma um shampoo com pH próximo a 7 tende a ser mais compatível com a mucosa ocular, de forma que se acidentalmente atingir o olho não irá machucar tanto.
- Sabonete infantil deve ter um pH ácido, mais próximo ao da pele (5,5). Isso evita que as defesas naturais da pele infantil (que ainda não é madura suficiente para promover uma proteção total) sejam removidas.
- Sabonete íntimo deve ter um pH mais ácido. A mucosa vaginal é composta por lactobacilus (é! Parecidos com os do Yakult!), esses são essenciais para a proteção contra infecções nessa área. Se o pH dessa área for modificado (deixar de ser ácido), esses organismos podem ser eliminados e consequentemente a proteção que eles conferem também o será.
- Shampoo de limpeza profunda tem um pH mais alcalino. O pH alcalino auxilia na solubilização dos lipídios (sebo, graxa) que dão um aspecto de sujeira para o cabelo. Além disso, o pH alcalino proporciona a abertura das escamas dos cabelos auxiliando o shampoo a penetrar mais profundamente, tendo um efeito de limpeza maior.
- Shampoo hidratante deve ter um pH mais ácido. Ele se torna menos agressivo e evita o ressecamento dos fios.

Para quem ficou curioso mais alguns pHs do nosso organismo:
pH pele: 5,5
pH cabelo: entre 4,2 e 5,8
pH da saliva: de 6,8 a 7,2 (depende do que você come durante o dia)
pH do estômago: de 0,9 a 2,0
pH do duodeno: 6,8
pH intestinal: 7,4
pH do sangue: 7,4
pH: lágrima: 7,2
pH vaginal: 4,8
pH semem: 8,0


A Estrutura da Pele

A pele é o maior órgão do corpo humano, composta por três camadas: a epiderme, a derme e a hipoderme (camada mais interna de tecido adiposo). Ela atua como uma barreira protetora, prevenindo a perda de água e bloqueando a entrada de agentes exógenos.
Epiderme: é constituída de várias camadas de queratinócitos (células responsáveis pela produção de queratina) em diferentes estágios de maturação. Essa é a camada responsável pela prevenção da desidratação das demais camadas. Na epiderme está o extrato córneo, que é a parte mais externa da epiderme. O extrato córneo é a barreira protetora contra a penetração de substâncias estranhas ao corpo.
Derme: é um tecido elástico e resistente que proporciona resistência física ao corpo inteiro. Essa camada fornece os nutrientes para a derme e é formada por células como fibroblastos, granulócitos, colágeno, elastina, glicosaminoglicanos e glicoproteínas.


A Estrutura do Cabelo

O fio de cabelo é formado pelos seguintes componentes: a cutícula, o córtex e a medula.
Cutícula: é constituída por proteínas, é parte mais externa do fio, sendo responsável pela proteção das células do córtex. É a camada cujas propriedades estruturais servem de proteção contra influências externas, ela é responsável pelo ingresso e egresso de água, o que permite manter as propriedades físicas da fibra. É formada por células escamosas de queratina que se sobrepõem umas as outras, lembrando escamas de peixe, formando uma cobertura.
Cortex: ocupa a maior área seccionada do fio (75 %) e é constituído por células ricas em ligações cruzadas de cistina (enxofre) e células rígidas separadas uma a uma por uma membrana celular. O córtex é formado por macrofibrilas de queratina alinhadas na direção do fio. Distribuídos aleatoriamente no córtex estão os grânulos de melanina cujo tipo, tamanho e quantidade determinam a cor do cabelo.
Medula: No interior do córtex está localizada a medula, porém esse componente pode estar presente ou ausente ao longo do comprimento do fio.