Um dos assuntos que mais me pedem pra colocar no blog é sobre a escova progressiva de carbocisteína, a qual eu mesma já testei (confira aqui).
A carbocisteína hoje está presente em muito mais produtos do que as pessoas imaginam. Muitas vezes a cliente pensa que está fazendo uma reconstrução capilar com um super hidratante, mas na verdade o que está sendo usado é a carbocisteína. Sabe por quê? Já explico!
Por causa de impasses quanto ao tipo de registro de produtos contendo esse ativo, hoje a carbocisteína não é considerado alisante pela ANVISA. Logo, se vocês prestarem atenção, todos os produtos que contém carbocisteína NÃO tem no rótulo os dizeres “alisante”, “produto de alisamento”, ou qualquer coisa do tipo. Muitos trazem dizeres do tipo: “plástica capilar”, “plástica dos fios”, “hidratante capilar” (veja bem, não é condicionador!), “redutor de volume”. É o jeito para por o produto no mercado!
Bom, a cisteína é um aminoácido comum ao nosso cabelo. Ela faz parte das ligações de cistina que dão o formato final: crespo, liso, ondulado. Segundo o livro The Science of Hair Care, escrito por profissionais da L’Oreal, a cisteína tem uma ação similar a do tioglicolato para o alisamento capilar, contudo, ela é uma molécula instável, que pode precipitar (separar fase na formulação) durante o processo químico, deixando o alisamento incompleto.
De tudo que eu li, de todas as informações que eu juntei, O MEU PONTO DE VISTA É:
A carbocisteina (na foto inicial) é uma molécula que deve ser mais estável em cosméticos que a cisteína, por isso ela é usada nesses alisamentos. Contudo, pra que ela tenha ação, é necessário um processo de oxidação das ligações de cistina. Pra isso é necessário um oxidante para auxiliar no processo, e é ai que entra o ÁCIDO GLIOXÍLICO. Ele é um oxidante que auxiliaria a carbocisteína no processo de alisamento. Fora isso, o calor que é aplicado sobre o produto também favorece esses processos de oxidação, por isso a importância da chapinha beeeem quente sore o produto no cabelo (e por isso que nem todos os produtos precisam ter o ácido glioxílico).
Mesmo assim, esses ativos não tem a mesma potência que o tioglicolato. Além do que, os processos de oxidação são favorecidos no pH alcalino e a carbocisteína para agir tem que estar em pH ácido. Logo a ação dela é muito mais BRANDA e SUPERFICIAL. Eu digo superficial porque as cadeias de queratina são completamente enoveladas, é necessário “força” (pH mais alcalino) do produto para “ir a fundo” (mais dentro desses “novelos”), entende? Com isso, o resultado que se tem é apenas uma redução de volume, redução de ondulação, mas não alisamento total. E é por isso que muitos cabeleireiros usam esses produtos para processos como: “selagem térmica”, “hidratação profunda”, “blindagem”, “plástica capilar”. O uso de produtos com carbocisteína ajeita os cabelos, reduz o volume, “doma a juba”, e como são menos agressivos não danificam tanto (não ressecam tanto). Como resultado parece que o cabelo está mais hidratado e tratado!
Mas não se iluda, assim como todos os processos químicos (luzes, coloração, alisamentos) ele também danifica um pouco o cabelo! Menos que muitos outros, mas também tem a sua parcela de dano!
E ai, ficou alguma dúvida?
Bju
Denise


