É fato: toda mulher se preocupa com o aparecimento da celulite. Umas mais, outras menos, mas a celulite É uma preocupação. Lendo o livro “Cellulite: Pathophysiology and Treatment” me dei conta que alguns detalhes sobre a celulite são desconhecidos, e por isso resolvi fazer uma pequena séries de posts sobre a celulite.
Para começar, algumas informações básicas sobre a celulite:
Como se forma a celulite?
Inicialmente ocorre uma alteração na junção (no esfíncter) entre a arteríola e os capilares sanguíneos da pele levando a uma alteração na permeabilidade vascular. Os capilares são os responsáveis pela irrigação da pele e as arteríolas são vasos sanguíneos que trazem o sangue até esses capilares. Ocorre então uma ectasia capilar, onde os vasos sangüíneos dilatam, o que permite a passagem de líquido para as células adiposas (hipoderme), levando a formação de um edema.
Esse edema causa modificações metabólicas. Essas alteraççoes metabólicas fazem com que o colágeno se disponha ao redor das células do tecido adiposo formando micronódulos. A união desses micronódulos leva a formação de macronódulos, que resultam na formação de escleroses (endurecimento de tecidos).
Anatomicamente, as alterações cutâneas encontradas na celulite são em grande parte devido à fibrose do tecido conjuntivo (gerada pela deposição errática do colágeno) presente na derme e / ou no tecido subcutâneo. Lóbulos de gordura subcutânea são separados um do outro por finos, geralmente rígidos, fios de tecido conjuntivo que atravessam a camada de gordura e se conectam a derme (camada subjacente). Estes “fios teciduais” estabilizam o tecido subcutâneo que dividem a gordura. Quando ocorre uma esclerose nesse tecido (devido a formação dos macronódulos com colágeno) há um encurtamento dos septos (tecido conjntivo) e devido à isso, ocorre uma retração, causando as depressões na superfície da pele que são característicos da celulite.
Porque mulher tem mais celulite que homem?
Nas mulheres os septos fibrosos são geralmente orientados perpendicularmente em relação à superfície cutânea, enquanto nos homens essa orientação tem um padrão cruzado. Vários estudos têm demonstrado que a gordura é dividida em lóbulos, e que nas mulheres, estas são maiores e mais retangular, quando comparados com as dos homens.
Além disso, uma das mais prováveis causas para o aparecimento da celulite é a presença de estrógeno. Esse hormônio é predominante em mulheres, enquanto que em homens sua presença se da em menor concentração. Fato que reforça essa teoria é que a celulite começa a aparecer quando as mulheres entram na puberdade (fase onde aumenta a produção de estrógeno).
Porque pessoas de pele negra tendem a ter menos celulite?
O extrato córneo da pele negra contém mais camadas de células do que na pele branca, porém a espessura é igual. Dessa forma o extrato córneo da pele negra é mais compacto, provavelmente por maior coesão intercelular
Além disso, o diferente conteúdo de melanina e o diferente padrão de dispersão dos melanossomas da pele negra ocasionam uma proteção frente ao sol maior para esses indivíduos, que costumam ter pele mais firme e mais lisa do que a de indivíduos brancos da mesma idade.
Essa maior firmeza e coesão celular da pele negra impedem que a retração das escleroses formadas na celulite apareçam facilmente na superfície da pele.
Nos próximos posts vou falar sobre:
- Fatores desencadeantes
Lipedema e Linfolipoedea, lipodistrofia: o que são e como estão relacionados à celulite.
A postura influencia? A alimentação influencia? Exercícios físicos ajudam?
- Tratamentos: prós e contras
Se você tiver mais dúvidas a respeito do assunto mande para que eu possa enriquecer mais os posts!!!
Literaturas interessantes:
Cellulite: Pathophysiology and Treatment,
Edited by Mitchel P. Goldman, Pier A. Bacci, Gustavo Leibaschoff, Doris Hexsel, Fabrizio Angelini, 2006.
Abordagens no estudo do envelhecimento cutâneo em diferentes etnias
Rev. Bras. Farm., 88(2): 59-62, 2007.
Dermatologia na pele negra
An Bras Dermatol.2008;83(1):7-20.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Fim de verão = Reparo emergencial
É... o verão esta acabando... e junto com ele os cabelos também! Por isso, no post de hoje, resolvi fazer algo que não era beeeem a proposta do blog, mas como muitas pessoas me pedem resolvi postar algumas “dicas para reparo emergencial”.
É fato, uns dias de exposição ao sol e os cabelos começam a ficar ressecados! Há quem ache que é culpa do sal do mar (que eu já disse que é mais culpa da sujeira do mar do que do sal), há quem ache que possa ser da água da piscina, mas a realidade é que se trata de uma combinação de tudo!
Abaixo resolvi colocar algumas imagens (sensacionalistas) de microscopia de cabelos danificados pra você entender o que estou falando.
Mas o que fazer depois que tudo esta destruído?
Bom, vou dar as MINHAS DICAS. Veja bem, quando eu digo “minhas dicas” quero dizer “o que eu faço” o que pra mim da certo. Não tome isso como verdade absoluta ou resposta milagrosa, mas pra mim pelo menos funcionam.
Vamos às dicas então:
1ª Limpeza profunda. Um dos problemas que pode deixar o cabelo com aspecto desagradável são os resíduos da água do mar,água da piscina, creme sem enxágüe para antes do mar, creme sem enxágüe para usar na praia, creme disso, tinta daquilo etc, etc. Então o ideal é começar usando um xampu anti-resíduo.
Ok, eu sei, nesse momento você deve estar gritando feito uma louca dizendo: “mas esses xampus ressecam o cabelo, meu cabelo já a horrível, porque usar isso?!?” CALMA! Xampu anti-resíduo retira tudo de podre que tem no cabelo. Além disso, ele possui um pH mais alcalino que ajuda na abertura das escamas. Assim, quando você fizer o próximo passo (hidratação) seu cabelo estará mais “receptivo aos tratamentos”!
Alguns Anti-resíduos que eu usei e gostei:
- Neutrogena: é o mais baratinho e tem um resultado ótimo! Tem para vender em algumas farmácias inclusive.
- Schwarzkopf Bonacure Shampoo Anti-Oleosidade: bem bom também, mas é mais caro. Tem pra vender em alguns salões de beleza.
- Paul Mitchell anti-resíduos: também é bom... não é o melhor mas é bom. Tem nas casas de cabeleireiros e salões.
- L'Anza Daily Clarifying Shampoo: é ótimo pra quem tem o cabelo mais sensível, mais ressecado, mas é bem caro.
2ª Hidratação. Dificilmente você irá conseguir um resultado igual ao de hidratações no salão! Por quê? Simples, existem produtos que não são vendidos para o consumidor final, apenas para salão. Mas não se desespere, para um tratamento emergencial tem alguns que são ótimos. Exemplos:
- Ampola da L’Oreal Absolute Repair: Boa e relativamente barata. Ela custa uns 15 reais, mas é para uma única aplicação. Para quem tem cabelo comprido (ou bastante cabelo) o ideal é usar duas ampolas. Geralmente eu uso a combinação Absolute Repair + Vitamino Color.
- Máscara Absolute Repair: também tem a opção de comprar o frasco com a máscara, é mais cara, mas dura muuuito mais.
- Condicionador Ultra Hidratante da Truss: esse é ótimo principalmente pra quem não gosta de volume. Ele deixa o cabelo mais “pesado”, o que tira um pouco o volume.
3ª Finalização. Para finalizar, um reparador de pontas pode ser utilizado. As marcas de reparadores de pontas eu não conheço quase nenhuma. O único que eu conheço é um da Lancome que eu uso (Hair Sensation).
O ideal na aplicação de um reparador de pontas (na minha opinião) é com o cabelo ainda molhado. A umidade do cabelo ajuda a distribuir mais homogeneamente o reparador. Quando o cabelo secar ele não vai ficar com um aspecto tão “pesado ou oleoso” com ficaria se a aplicação fosse feia no cabelo seco.
Pra quem faz chapinha ou escova, outra dica para finalização é o uso de ceras. A única que eu já usei e sei que é boa é a Keune Disconnect Molding Paste. Mas tem que passar pouco (não exagere, ou o cabelo vai ficar com aspecto de “sujo”)!
Esse ciclo, quando meu cabelo está muito danificado, eu repito uma vez por semana, do contrário da pra fazer a cada quinze dias ou uma vez por mês! O Cabelo se recupera aos poucos e fica bem bonito!
Outros produtos interessantes para deixar o cabelo bonito são:
- Shampoo e condicionador Nutri-reparador da Vichy (uso diário): restaura mesmo os cabelos!
- L’Anza Shampoo Remedy: ajuda a manter o cabelo bonito e saudável. É para uso diário, mas é bem caro.
- Cellophane Sebastian: é um conjunto de hidratantes e corantes que conferem um reflexo brilhoso para o cabelo. Não é tinta! Esses corantes são moléculas que se aderem ao fio e refletem a luz do sol em diferentes tons de cores, que vão desde o castanho até o vermelho. Tem a opção incolor também que apenas confere um brilho para o cabelo. Tem um resultado muito legal, mas o produto é caro e difícil de acha para comprar!
É fato, uns dias de exposição ao sol e os cabelos começam a ficar ressecados! Há quem ache que é culpa do sal do mar (que eu já disse que é mais culpa da sujeira do mar do que do sal), há quem ache que possa ser da água da piscina, mas a realidade é que se trata de uma combinação de tudo!
Abaixo resolvi colocar algumas imagens (sensacionalistas) de microscopia de cabelos danificados pra você entender o que estou falando.
Imagem de um cabelo normal (saudável)
Imagem de pontas duplas
Imagem de escamas abertas (ressecamento) por uso demasiado de calor (secador e chapinha)
Imagem de dano na estrutura por uso demasiado de alisantes.
Mas o que fazer depois que tudo esta destruído?
Bom, vou dar as MINHAS DICAS. Veja bem, quando eu digo “minhas dicas” quero dizer “o que eu faço” o que pra mim da certo. Não tome isso como verdade absoluta ou resposta milagrosa, mas pra mim pelo menos funcionam.
Vamos às dicas então:
1ª Limpeza profunda. Um dos problemas que pode deixar o cabelo com aspecto desagradável são os resíduos da água do mar,água da piscina, creme sem enxágüe para antes do mar, creme sem enxágüe para usar na praia, creme disso, tinta daquilo etc, etc. Então o ideal é começar usando um xampu anti-resíduo.
Ok, eu sei, nesse momento você deve estar gritando feito uma louca dizendo: “mas esses xampus ressecam o cabelo, meu cabelo já a horrível, porque usar isso?!?” CALMA! Xampu anti-resíduo retira tudo de podre que tem no cabelo. Além disso, ele possui um pH mais alcalino que ajuda na abertura das escamas. Assim, quando você fizer o próximo passo (hidratação) seu cabelo estará mais “receptivo aos tratamentos”!
Alguns Anti-resíduos que eu usei e gostei:
- Neutrogena: é o mais baratinho e tem um resultado ótimo! Tem para vender em algumas farmácias inclusive.
- Schwarzkopf Bonacure Shampoo Anti-Oleosidade: bem bom também, mas é mais caro. Tem pra vender em alguns salões de beleza.
- Paul Mitchell anti-resíduos: também é bom... não é o melhor mas é bom. Tem nas casas de cabeleireiros e salões.
- L'Anza Daily Clarifying Shampoo: é ótimo pra quem tem o cabelo mais sensível, mais ressecado, mas é bem caro.
2ª Hidratação. Dificilmente você irá conseguir um resultado igual ao de hidratações no salão! Por quê? Simples, existem produtos que não são vendidos para o consumidor final, apenas para salão. Mas não se desespere, para um tratamento emergencial tem alguns que são ótimos. Exemplos:
- Ampola da L’Oreal Absolute Repair: Boa e relativamente barata. Ela custa uns 15 reais, mas é para uma única aplicação. Para quem tem cabelo comprido (ou bastante cabelo) o ideal é usar duas ampolas. Geralmente eu uso a combinação Absolute Repair + Vitamino Color.
- Máscara Absolute Repair: também tem a opção de comprar o frasco com a máscara, é mais cara, mas dura muuuito mais.
- Condicionador Ultra Hidratante da Truss: esse é ótimo principalmente pra quem não gosta de volume. Ele deixa o cabelo mais “pesado”, o que tira um pouco o volume.
3ª Finalização. Para finalizar, um reparador de pontas pode ser utilizado. As marcas de reparadores de pontas eu não conheço quase nenhuma. O único que eu conheço é um da Lancome que eu uso (Hair Sensation).
O ideal na aplicação de um reparador de pontas (na minha opinião) é com o cabelo ainda molhado. A umidade do cabelo ajuda a distribuir mais homogeneamente o reparador. Quando o cabelo secar ele não vai ficar com um aspecto tão “pesado ou oleoso” com ficaria se a aplicação fosse feia no cabelo seco.
Pra quem faz chapinha ou escova, outra dica para finalização é o uso de ceras. A única que eu já usei e sei que é boa é a Keune Disconnect Molding Paste. Mas tem que passar pouco (não exagere, ou o cabelo vai ficar com aspecto de “sujo”)!
Esse ciclo, quando meu cabelo está muito danificado, eu repito uma vez por semana, do contrário da pra fazer a cada quinze dias ou uma vez por mês! O Cabelo se recupera aos poucos e fica bem bonito!
Outros produtos interessantes para deixar o cabelo bonito são:
- Shampoo e condicionador Nutri-reparador da Vichy (uso diário): restaura mesmo os cabelos!
- L’Anza Shampoo Remedy: ajuda a manter o cabelo bonito e saudável. É para uso diário, mas é bem caro.
- Cellophane Sebastian: é um conjunto de hidratantes e corantes que conferem um reflexo brilhoso para o cabelo. Não é tinta! Esses corantes são moléculas que se aderem ao fio e refletem a luz do sol em diferentes tons de cores, que vão desde o castanho até o vermelho. Tem a opção incolor também que apenas confere um brilho para o cabelo. Tem um resultado muito legal, mas o produto é caro e difícil de acha para comprar!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Antioxidantes? Radicais livres? Estresse oxidativo?
Você já deve ter ouvido falar, já deve ter lido que esse ou aquele cosmético é bom porque tem antioxidante. Mas você já se perguntou: O que é um antioxidante? Se ele é “anti”, o que ele previne? Se ele previne, como ele faz isso?
Vamos contextualizar então:
ANTIOXIDANTES são substâncias capazes de prevenir a formação dos RADICAIS LIVRES.
Mas quem são esses radicais livres?
Os radicais livres são moléculas ou átomos com um número ímpar de elétrons, eles possuem elétrons de valência desemparelhados, e, portanto, são altamente reativos. No nosso organismo, os radicais livres são produzidos pelas células, durante diversos processos biológicos como por exemplo o processo de conversão dos nutrientes em energia. Esses radicais livres podem danificar células sadias. Entretanto, o nosso organismo através de enzimas e substâncias protetoras repara 99% dos danos causados por essa oxidação, ou seja, o nosso organismo consegue controlar o nível desses radicais através da ação de antioxidantes.
Mas se temos essas substâncias que reparam esses danos, porque a importância dos antioxidantes na alimentação, nos medicamentos ou nos cosméticos?
Alguns fatores externos, aos quais estamos expostos podem aumentar a taxa de produção de radicais livres, fazendo com que o nosso corpo não tenha antioxidantes suficientes para reparar os danos que irão ser gerados. Essa situação onde temos uma produção maior que a eliminação dos radicais livre é chamada de ESTRESSE OXIDATIVO.
O estresse oxidativo pode ser gerado pelos efeitos do sol, contaminação por tabaco e bebida alcoólica. Os radicais livres (“a mais”) formados podem danificar as membranas das células, provocando efeitos negativos sobre várias regiões do corpo como o coração, vasos sangüíneos e a pele, devido à morte ou ao mau funcionamento dessas células.
Por isso a insistência dos nutricionistas por uma boa alimentação. Muitos alimentos são ricos em antioxidantes. Alguns exemplos de alimentos e seus respectivos antioxidantes são:
- Tomate: rico em licopeno e carotenóides.
- Mamão e cenoura: ricos em beta-caroteno.
- Laranja e limão: ricos em vitamina C (ou ácido ascórbico).
- Brócolis e salsa: ricos em flavonóides.
- Curry: rico em curcumina.
- Nozes e óleo de oliva: ricos em polifenóis.
- Chás: ricos em catequinas.
- Vinho: rico em quercetina e resveratrol
- Óleos (girassol, milho, soja): ricos em vitamina E (alfa-tocoferol).
- Cereais, peixes, carnes: ricos em selênio.
Já aquelas pessoas que não tem alimentação saudável, ou que essa ainda não é suficiente, optam pelo uso de suplementos alimentares ou cosméticos a base de antioxidantes.
Na cosmetologia a principal finalidade do uso dos antioxidantes é para a prevenção das rugas. Na pele, os radicais livres atacam as células na parte superficial da epiderme, degradando os fibroblastos da derme (células responsáveis pela firmeza) e podendo, inclusive, lesar a cadeia de DNA, proteínas, carboidratos, lipídios e as membranas celulares na parte mais profunda da epiderme.
O dano à epiderme e à derme ocasiona a formação de depressões (pequenas fendas) que são (macroscopicamente) as rugas. Em casos mais severos, o estresse oxidativo gerado pelo sol (principalmente) pode induzir a formação do câncer de pele.
O uso de antioxidante em preparações cosméticas não irá reparar aquelas rugas marcadas e mais antigas, e sim irá prevenir o aparecimento de novas. Dessa forma, a terapia com esse tipo de cosmético será preventivo, e raramente reparador.
Para terminar gostaria de (re)lembrar as leitoras (que até aqui tiveram paciência de ler) quais são os principais agentes causadores de radicais livres que desencadeiam o envelhecimento precoce e aparecimento de rugas indesejadas:
- Sol em excesso (e principalmente sem proteção) – isso também vale para câmaras de bronzeamento artificial;
- cigarro (e outros tipos de drogas);
- bebida alcoólica.
Links interessantes:
- American Heart Association
- Revista de Nutrição - Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta e Licopeno como agente antioxidante
Vamos contextualizar então:
ANTIOXIDANTES são substâncias capazes de prevenir a formação dos RADICAIS LIVRES.
Mas quem são esses radicais livres?
Os radicais livres são moléculas ou átomos com um número ímpar de elétrons, eles possuem elétrons de valência desemparelhados, e, portanto, são altamente reativos. No nosso organismo, os radicais livres são produzidos pelas células, durante diversos processos biológicos como por exemplo o processo de conversão dos nutrientes em energia. Esses radicais livres podem danificar células sadias. Entretanto, o nosso organismo através de enzimas e substâncias protetoras repara 99% dos danos causados por essa oxidação, ou seja, o nosso organismo consegue controlar o nível desses radicais através da ação de antioxidantes.
Mas se temos essas substâncias que reparam esses danos, porque a importância dos antioxidantes na alimentação, nos medicamentos ou nos cosméticos?
Alguns fatores externos, aos quais estamos expostos podem aumentar a taxa de produção de radicais livres, fazendo com que o nosso corpo não tenha antioxidantes suficientes para reparar os danos que irão ser gerados. Essa situação onde temos uma produção maior que a eliminação dos radicais livre é chamada de ESTRESSE OXIDATIVO.
O estresse oxidativo pode ser gerado pelos efeitos do sol, contaminação por tabaco e bebida alcoólica. Os radicais livres (“a mais”) formados podem danificar as membranas das células, provocando efeitos negativos sobre várias regiões do corpo como o coração, vasos sangüíneos e a pele, devido à morte ou ao mau funcionamento dessas células.
Por isso a insistência dos nutricionistas por uma boa alimentação. Muitos alimentos são ricos em antioxidantes. Alguns exemplos de alimentos e seus respectivos antioxidantes são:
- Tomate: rico em licopeno e carotenóides.
- Mamão e cenoura: ricos em beta-caroteno.
- Laranja e limão: ricos em vitamina C (ou ácido ascórbico).
- Brócolis e salsa: ricos em flavonóides.
- Curry: rico em curcumina.
- Nozes e óleo de oliva: ricos em polifenóis.
- Chás: ricos em catequinas.
- Vinho: rico em quercetina e resveratrol
- Óleos (girassol, milho, soja): ricos em vitamina E (alfa-tocoferol).
- Cereais, peixes, carnes: ricos em selênio.
Já aquelas pessoas que não tem alimentação saudável, ou que essa ainda não é suficiente, optam pelo uso de suplementos alimentares ou cosméticos a base de antioxidantes.
Na cosmetologia a principal finalidade do uso dos antioxidantes é para a prevenção das rugas. Na pele, os radicais livres atacam as células na parte superficial da epiderme, degradando os fibroblastos da derme (células responsáveis pela firmeza) e podendo, inclusive, lesar a cadeia de DNA, proteínas, carboidratos, lipídios e as membranas celulares na parte mais profunda da epiderme.
O dano à epiderme e à derme ocasiona a formação de depressões (pequenas fendas) que são (macroscopicamente) as rugas. Em casos mais severos, o estresse oxidativo gerado pelo sol (principalmente) pode induzir a formação do câncer de pele.
O uso de antioxidante em preparações cosméticas não irá reparar aquelas rugas marcadas e mais antigas, e sim irá prevenir o aparecimento de novas. Dessa forma, a terapia com esse tipo de cosmético será preventivo, e raramente reparador.
Para terminar gostaria de (re)lembrar as leitoras (que até aqui tiveram paciência de ler) quais são os principais agentes causadores de radicais livres que desencadeiam o envelhecimento precoce e aparecimento de rugas indesejadas:
- Sol em excesso (e principalmente sem proteção) – isso também vale para câmaras de bronzeamento artificial;
- cigarro (e outros tipos de drogas);
- bebida alcoólica.
Links interessantes:
- American Heart Association
- Revista de Nutrição - Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta e Licopeno como agente antioxidante
domingo, 24 de janeiro de 2010
Por que proibiram a vitamina K?
“Parecer Técnico nº 1, de 4 de janeiro de 2010
[...]Considerando a ocorrência de dermatite de contato alérgica no local de aplicação de vitamina K (5, 6);
Considerando que existem relatos de dermatoses ocupacionais alérgicas relacionadas à vitamina K (5,6);
Considerando que há casos de dermatite de contato alérgica pelo uso de vitamina K contida em cremes cosméticos (7-9)[...]”
Recentemente a Câmara Técnica de Cosméticos (CATEC), que faz acessoria para a ANVISA, emitiu um parecer técnico que proíbe o uso da vitamina K em cosméticos.
Mas antes que você saia por ai achando que a vitamina K é “um agente químico terrível, criado pela indústria farmacêutica para ralar (para não usar outros termos piores) com a sua vida” entenda o que é a vitamina K:
A vitamina K foi descoberta em 1929 por Henrik Dam, como um fator anti-hemorrágico, capaz de reverter desordens sangüíneas observadas em galinhas, alimentadas com dieta livre de gordura. Ela é formada por um grupo de diferentes substâncias que apresentam em comum o núcleo naftoquinona, são elas:
- vitamina K1 (filoquinona ou fitomenadiona): encontrada em plantas, principalmente de folhas verdes escura;
- vitamina K2 (menaquinona): formada como resultado da ação bacteriana no trato intestinal;
- vitamina K3 (menadiona): composto lipossolúvel sintético, é cerca de duas vezes mais potente biologicamente que as vitaminas K1 e K2.
A vitamina K atua como co-fator (substâncias necessárias ao funcionamento das enzimas) essencial na reação do ácido glutâmico que leva à formação de um composto chamado Gla. Esse composto capacita as proteínas de coagulação a se ligarem ao cálcio possibilitando a ocorrência do processo de coagulação sangüínea normal.
Foram descobertos diversos outros grupos de proteínas dependentes da vitamina K, que não têm conexão com a coagulação sangüínea, mas estão ligadas ao cálcio. Essas proteínas que contém Gla são conhecidas por ocorrerem em um grande número de tecidos e órgãos como osso, rim, placenta, pâncreas, vesícula e pulmão.
Até ai nenhum problema aparente com essa substância tão comum ao nosso organismo!
Pois bem, na cosmetologia a vitamina K é utilizada para o tratamento de olheiras ou hiperpigmentação peri, infra ou suborbital, (denominações para o escurecimento da região ao redor dos olhos, em forma de semicírculos, que afetam principalmente a região da pálpebra inferior) por apresentar ação vasoprotetora, reparadora (dos vasos sangüíneos) e clareadora (agindo como antioxidante).
O problema é que dados existentes na literatura apontam a ocorrência de hipersensibilidade local e dermatite de contato (um tipo de irritação, alergia) após a aplicação de vitamina K (tanto na aplicação injetável como na aplicação tópica – cremes de uso cosmético).
Como os COSMÉTICOS possuem uma venda livre no mercado, não necessitando ficar “atrás do balcão das farmácias”, ficam direto ao alcance de qualquer consumidor. E daí você se pergunta: Ta, mas qual a diferença entre ficar atrás do balcão ou ao alcance do consumidor?
Todos os MEDICAMENTOS devem por lei ficar atrás do balcão das farmácias, ou seja, “para que o usuário faça a solicitação ao farmacêutico e receba o produto com a orientação necessária”. Embora a venda de medicamentos não seja totalmente controlada (como deveria ser), a ANVISA parte do pressuposto que se o produto não estiver exposto o cliente só saberá da sua existência (e da sua finalidade) se tiver consultado um medico previamente. Também, que ao solicitar ao farmacêutico esse poderá ainda reforçar orientações de uso.
Dessa forma, a proibição da vitamina K não significa que as mulheres não poderão mais comprar cremes com esse composto (não será ilegal). Apenas, a partir de agora, as formulações a base de vitamina k deverão ser registradas e comercializadas como MEDICAMENTOS, devendo o consumidor discutir com seu dermatologista se é adequado ou não o seu uso. A vitamina K simplesmente deixou de ser mais um creme que o consumidor pega da prateleira sem sequer saber os riscos que o produto traz.
Outros ativos, bem conhecidos, também têm seu uso proibido pela ANVISA em COSMÉTICOS entre eles estão: ácido retinóico (isotretinoína ou tretinoína), peróxido de benzoíla (para acne) e qualquer antibiótico (também usados para acne). Todos são vendidos como medicamentos, que devem ser prescritos por médicos (pelo menos na teoria deveriam ser!).
PS: Esse post foi em homenagem à minha grande colega farmacêutica Ana Luiza Maurer da Silva!
[...]Considerando a ocorrência de dermatite de contato alérgica no local de aplicação de vitamina K (5, 6);
Considerando que existem relatos de dermatoses ocupacionais alérgicas relacionadas à vitamina K (5,6);
Considerando que há casos de dermatite de contato alérgica pelo uso de vitamina K contida em cremes cosméticos (7-9)[...]”
Recentemente a Câmara Técnica de Cosméticos (CATEC), que faz acessoria para a ANVISA, emitiu um parecer técnico que proíbe o uso da vitamina K em cosméticos.
Mas antes que você saia por ai achando que a vitamina K é “um agente químico terrível, criado pela indústria farmacêutica para ralar (para não usar outros termos piores) com a sua vida” entenda o que é a vitamina K:
A vitamina K foi descoberta em 1929 por Henrik Dam, como um fator anti-hemorrágico, capaz de reverter desordens sangüíneas observadas em galinhas, alimentadas com dieta livre de gordura. Ela é formada por um grupo de diferentes substâncias que apresentam em comum o núcleo naftoquinona, são elas:
- vitamina K1 (filoquinona ou fitomenadiona): encontrada em plantas, principalmente de folhas verdes escura;
- vitamina K2 (menaquinona): formada como resultado da ação bacteriana no trato intestinal;
- vitamina K3 (menadiona): composto lipossolúvel sintético, é cerca de duas vezes mais potente biologicamente que as vitaminas K1 e K2.
A vitamina K atua como co-fator (substâncias necessárias ao funcionamento das enzimas) essencial na reação do ácido glutâmico que leva à formação de um composto chamado Gla. Esse composto capacita as proteínas de coagulação a se ligarem ao cálcio possibilitando a ocorrência do processo de coagulação sangüínea normal.
Foram descobertos diversos outros grupos de proteínas dependentes da vitamina K, que não têm conexão com a coagulação sangüínea, mas estão ligadas ao cálcio. Essas proteínas que contém Gla são conhecidas por ocorrerem em um grande número de tecidos e órgãos como osso, rim, placenta, pâncreas, vesícula e pulmão.
Até ai nenhum problema aparente com essa substância tão comum ao nosso organismo!
Pois bem, na cosmetologia a vitamina K é utilizada para o tratamento de olheiras ou hiperpigmentação peri, infra ou suborbital, (denominações para o escurecimento da região ao redor dos olhos, em forma de semicírculos, que afetam principalmente a região da pálpebra inferior) por apresentar ação vasoprotetora, reparadora (dos vasos sangüíneos) e clareadora (agindo como antioxidante).
O problema é que dados existentes na literatura apontam a ocorrência de hipersensibilidade local e dermatite de contato (um tipo de irritação, alergia) após a aplicação de vitamina K (tanto na aplicação injetável como na aplicação tópica – cremes de uso cosmético).
Como os COSMÉTICOS possuem uma venda livre no mercado, não necessitando ficar “atrás do balcão das farmácias”, ficam direto ao alcance de qualquer consumidor. E daí você se pergunta: Ta, mas qual a diferença entre ficar atrás do balcão ou ao alcance do consumidor?
Todos os MEDICAMENTOS devem por lei ficar atrás do balcão das farmácias, ou seja, “para que o usuário faça a solicitação ao farmacêutico e receba o produto com a orientação necessária”. Embora a venda de medicamentos não seja totalmente controlada (como deveria ser), a ANVISA parte do pressuposto que se o produto não estiver exposto o cliente só saberá da sua existência (e da sua finalidade) se tiver consultado um medico previamente. Também, que ao solicitar ao farmacêutico esse poderá ainda reforçar orientações de uso.
Dessa forma, a proibição da vitamina K não significa que as mulheres não poderão mais comprar cremes com esse composto (não será ilegal). Apenas, a partir de agora, as formulações a base de vitamina k deverão ser registradas e comercializadas como MEDICAMENTOS, devendo o consumidor discutir com seu dermatologista se é adequado ou não o seu uso. A vitamina K simplesmente deixou de ser mais um creme que o consumidor pega da prateleira sem sequer saber os riscos que o produto traz.
Outros ativos, bem conhecidos, também têm seu uso proibido pela ANVISA em COSMÉTICOS entre eles estão: ácido retinóico (isotretinoína ou tretinoína), peróxido de benzoíla (para acne) e qualquer antibiótico (também usados para acne). Todos são vendidos como medicamentos, que devem ser prescritos por médicos (pelo menos na teoria deveriam ser!).
PS: Esse post foi em homenagem à minha grande colega farmacêutica Ana Luiza Maurer da Silva!
sábado, 23 de janeiro de 2010
O Batom que ainda preocupa
"Homens:
Não deixem de passar este informativo para suas esposas,
filhas, namoradas, amigas ou colegas de trabalho.
Mulheres: Atenção para o batom que usam.
A Dra. Elizabeth Ayoub, é médica biomolecular e emitiu um alerta para
batons contendo chumbo, que é uma substância cancerígena."
filhas, namoradas, amigas ou colegas de trabalho.
Mulheres: Atenção para o batom que usam.
A Dra. Elizabeth Ayoub, é médica biomolecular e emitiu um alerta para
batons contendo chumbo, que é uma substância cancerígena."
E é
assim que o sensacionalismo se inicia... Esse e-mail circula desde 2003 e
pasmem: até hoje algumas pessoas ainda se preocupam com isso!
Esse
e-mail foi baseado em fatos infundados, com informações mentirosas, mas como a
grande massa prefere acreditar nesse tipo de “fonte de informação” ao invés de
procurar fontes mais confiáveis, fez-se o caos!
Vamos
então às mentiras:
- O
e-mail fala para passar um anel de ouro no batom, e que aparecendo um marca
preta isso seria indicativo de chumbo. Até onde eu sei não existe uma reação
entre ouro e chumbo que pudesse ter como produto algo de coloração preta. Mas
então porque fica preto?! Simples: SUJEIRA! É milenar a prática de limpar jóias
com batom ou talco. Ambos são capazes de polir as jóias, limpando-as, o que
confere um brilho! Inclusive passeando pela internet (nesse assunto) vi o
depoimento de uma menina que falou: “Eu testei primeiro no batom da marca x e o
da marca y que ficou preto, quando testei o terceiro batom, da marca z, não
ficou preto!!!” Lógico!!! O Anel já estava limpo!
- A Dra.
Elizabeth Ayoub, é uma nutricionista e não médica biomolecular, a coitada estava
pedindo na internet que ajudasse ela a desmentir tudo. Ela nunca falou nada
disso!
- Alem
disso tudo, bastava fazer uma pesquisa no site do FDA cruzando os termos “lead”
(chumbo) e “lipstick” (batom) para descobrir que tudo isso é uma farsa. A baixo
uma tradução de uma das páginas do FDA sobre esse assunto.
O chumbo é um contaminante
intencional ou impurezas que podem estar presentes em níveis muito baixos em
alguns aditivos de cor e de outros ingredientes comuns, como a água, que são
usados para produzir cosméticos. O FDA realizou recentemente um
teste dos níveis de chumbo em batons específicos. Os resultados mostraram que os
níveis de chumbo encontrado nas amostras de batom eram extremamente baixos, e o
FDA não acredita que os produtos testados gerem preocupação quanto a sua
segurança. Os resultados deste teste estão
disponíveis no artigo, “Determination of total lead in lipstick” (Determinação de chumbo total em
batom), publicado em julho-agosto 2009 edição do Journal of Cosmetic Science.
O FDA pretende realizar mais testes com batons comercializados
nos EUA e vai avaliar se ainda será necessária qualquer ação do FDA, baseada em
suas conclusões.
Ainda tem uma página de perguntas e respostas sobre esse assunto bem interessante na página do FDA, mas não coloquei aqui porque era muito extensa. Se você não sabe inglês, use o Google tradutor, fica meio torta a tradução, mas já ajuda a entender.
De tudo que li sobre o assunto na internet percebi que isso era sensacionalismo de algumas organizações “anti produtos químicos”, visto que essa notícia começou a se espalhar após a Campanha por Cosméticos Seguros (Campaign for Safe Cosmetics).
Esse tipo de notícia não deve ser levada a sério se órgãos responsáveis pela segurança de produtos destinados ao uso humano (como a ANVISA, no Brasil, e o FDA, nos EUA) não se manifestarem. Se indústrias tentam colocar produtos feitos “de qualquer jeito” no mercado, “porque elas não estariam nem ai para os consumidores (só visando o próprio lucro)”, pode ter certeza que os órgãos regulamentadores não deixariam esses produtos passarem para o mercado!
Ainda tem uma página de perguntas e respostas sobre esse assunto bem interessante na página do FDA, mas não coloquei aqui porque era muito extensa. Se você não sabe inglês, use o Google tradutor, fica meio torta a tradução, mas já ajuda a entender.
De tudo que li sobre o assunto na internet percebi que isso era sensacionalismo de algumas organizações “anti produtos químicos”, visto que essa notícia começou a se espalhar após a Campanha por Cosméticos Seguros (Campaign for Safe Cosmetics).
Esse tipo de notícia não deve ser levada a sério se órgãos responsáveis pela segurança de produtos destinados ao uso humano (como a ANVISA, no Brasil, e o FDA, nos EUA) não se manifestarem. Se indústrias tentam colocar produtos feitos “de qualquer jeito” no mercado, “porque elas não estariam nem ai para os consumidores (só visando o próprio lucro)”, pode ter certeza que os órgãos regulamentadores não deixariam esses produtos passarem para o mercado!
Por
isso lembrem-se bem: Esses órgãos nos protegem, produtos registrados e
regulamentados são seguros! Já aqueles falsificados, que muitas pessoas
insistem em comprar no dito “mercado negro” não se pode garantir a procedência
e principalmente a segurança.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
20 de Janeiro - O dia do Farmacêutico
"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida."
É com esse poema de um farmacêutico (SIM! Para você que não sabe, Carlos Drummond de Andrade era formado em Farmácia), que eu parabenizo todos os meus colegas de profissão nesse nosso dia!
PARABÉNS FARMACÊUTICOS!
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida."
É com esse poema de um farmacêutico (SIM! Para você que não sabe, Carlos Drummond de Andrade era formado em Farmácia), que eu parabenizo todos os meus colegas de profissão nesse nosso dia!
PARABÉNS FARMACÊUTICOS!
O que é natural não faz mal?
“A utilização de medicamentos fitoterápicos, com finalidades profiláticas ou curativas vem sendo tratada, erroneamente, como sendo um recurso terapêutico isento de riscos ou efeitos indesejáveis e estimulada com base no mito de que “o que é natural não faz mal”. Esse mito é, muitas vezes, endossado pela publicidade e bulas que não fazem referências aos possíveis riscos de sua utilização...”
Resolvi iniciar esse meu post com esse trecho retirado de um artigo científico da Revista Acta Bonarense de 2006 (RESENER, 2006) por ver que cada vez mais as pessoas preferem o uso (indiscriminado) de produtos naturais por acharem esses mais seguros e confiáveis.
No universo dos cosméticos, o uso do que é “natural” tem um apelo extremamente forte, porém sem nenhuma explicação convincente, por exemplo: Máscaras faciais feitas com frutas, castanha, aveia para hidratação facial. Esse tipo de mistura não terá o efeito de uma máscara facial industrialmente preparada, principalmente porque os ativos estão em quantidades muito pequenas nas frutas e outros vegetais. As indústrias extraem os ativos e os concentram para que o resultado desejado possa realmente ser atingido. Em 2004 eu trabalhei com a extração de óleo de eucalipto a partir das folhas da árvore. Para cada meio kilograma de folha eu conseguia extrair 1 mL de óleo (e essa quantidade é considerada alta perto da extração de outros óleos provindos de outros vegetais). Outro exemplo é baseado em uma reportagem do Jornal da Globo, onde uma cosmetóloga disse que o uso de folhas de gelatina sobre a pele ajudaria a repor proteínas e preencher rugas da pele. Isso é impossível de se conseguir!!! As proteínas presentes na gelatina têm um tamanho molecular grande que impede que elas atravessem a pele (para serem absorvidas), sendo assim elas jamais preencherão rugas.
Mesmo assim, pessoas que usam esses preparados caseiros notam uma certa hidratação da pele após seu uso. A explicação para isso é que esses preparados geralmente têm a capacidade de formar um filme protetor que evita a perda de água transepidérmica, deixando a pele com uma aparência melhor e um toque mais suave.
É possível conseguir um cosmético industrializado com o máximo de componentes possíveis provindos de fontes naturais ou orgânicas, prova disso é a empresa “The Body Shop”, que trabalha com esse conceito em seus produtos.
Além disso, é importante relembrar que nem sempre o que é natural é completamente seguro e incapaz de causar um efeito indesejado. Exemplo disso é a vitamina K, encontrada em vegetais verdes, no fígado e produzida pela nossa flora intestinal, que teve seu uso proibido em cosméticos recentemente pela ANVISA. Essa proibição foi devido a diversos relatos de casos de dermatite de contato (alergia) desencadeados pelo uso tópico da vitamina.
Assim, todos devem ter muito cuidado antes de sair aplicando qualquer mistura de vegetais e outros alimentos na pele. Assim como o efeito pode ser bom, ele pode causar muitos problemas como dermatites, irritações e até manchas na pele.
Literaturas interessantes:
RATES, S.M.K.. Promoção do uso racional de fitoterápicos: uma abordagem no ensino de Farmacognosia. Rev. bras. farmacogn. [online]. 2001, vol.11, n.2, pp. 57-69. ISSN 0102-695X.
Marisete Canello RESENER, Eloir Paulo SCHENKEL & Cláudia Maria Oliveira SIMÕES. Análise da Qualidade de Propagandas de Medicamentos Fitoterápicos disponibilizadas em Santa Catarina (Brasil). Acta Farm. Bonaerense 25 (4): 583-9 (2006)
Resolvi iniciar esse meu post com esse trecho retirado de um artigo científico da Revista Acta Bonarense de 2006 (RESENER, 2006) por ver que cada vez mais as pessoas preferem o uso (indiscriminado) de produtos naturais por acharem esses mais seguros e confiáveis.
No universo dos cosméticos, o uso do que é “natural” tem um apelo extremamente forte, porém sem nenhuma explicação convincente, por exemplo: Máscaras faciais feitas com frutas, castanha, aveia para hidratação facial. Esse tipo de mistura não terá o efeito de uma máscara facial industrialmente preparada, principalmente porque os ativos estão em quantidades muito pequenas nas frutas e outros vegetais. As indústrias extraem os ativos e os concentram para que o resultado desejado possa realmente ser atingido. Em 2004 eu trabalhei com a extração de óleo de eucalipto a partir das folhas da árvore. Para cada meio kilograma de folha eu conseguia extrair 1 mL de óleo (e essa quantidade é considerada alta perto da extração de outros óleos provindos de outros vegetais). Outro exemplo é baseado em uma reportagem do Jornal da Globo, onde uma cosmetóloga disse que o uso de folhas de gelatina sobre a pele ajudaria a repor proteínas e preencher rugas da pele. Isso é impossível de se conseguir!!! As proteínas presentes na gelatina têm um tamanho molecular grande que impede que elas atravessem a pele (para serem absorvidas), sendo assim elas jamais preencherão rugas.
Mesmo assim, pessoas que usam esses preparados caseiros notam uma certa hidratação da pele após seu uso. A explicação para isso é que esses preparados geralmente têm a capacidade de formar um filme protetor que evita a perda de água transepidérmica, deixando a pele com uma aparência melhor e um toque mais suave.
É possível conseguir um cosmético industrializado com o máximo de componentes possíveis provindos de fontes naturais ou orgânicas, prova disso é a empresa “The Body Shop”, que trabalha com esse conceito em seus produtos.
Além disso, é importante relembrar que nem sempre o que é natural é completamente seguro e incapaz de causar um efeito indesejado. Exemplo disso é a vitamina K, encontrada em vegetais verdes, no fígado e produzida pela nossa flora intestinal, que teve seu uso proibido em cosméticos recentemente pela ANVISA. Essa proibição foi devido a diversos relatos de casos de dermatite de contato (alergia) desencadeados pelo uso tópico da vitamina.
Assim, todos devem ter muito cuidado antes de sair aplicando qualquer mistura de vegetais e outros alimentos na pele. Assim como o efeito pode ser bom, ele pode causar muitos problemas como dermatites, irritações e até manchas na pele.
Literaturas interessantes:
RATES, S.M.K.. Promoção do uso racional de fitoterápicos: uma abordagem no ensino de Farmacognosia. Rev. bras. farmacogn. [online]. 2001, vol.11, n.2, pp. 57-69. ISSN 0102-695X.
Marisete Canello RESENER, Eloir Paulo SCHENKEL & Cláudia Maria Oliveira SIMÕES. Análise da Qualidade de Propagandas de Medicamentos Fitoterápicos disponibilizadas em Santa Catarina (Brasil). Acta Farm. Bonaerense 25 (4): 583-9 (2006)
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
O mito do anticoncepcional no xampu
Acho que desde que sou adolescente ouço essa história: colocar um ou dois comprimidos de anticoncepcional no xampu previne a queda e ajuda no crescimento mais rápido do cabelo. Sinceramente nunca acreditei, mas recentemente descobri que embora seja falho esse mito tem certo fundamento.
Vamos contextualizar:
O hiperandrogenismo é um quadro clínico desenvolvido devido ao aumento da produção e ação biológica dos andrógenos (hormônios masculinos – presentes tanto em homens quanto em mulheres). No hiperandrogenismo feminino ocorrem quadros clínicos de severidade variável, entre esses distúrbios estão o hirsutismo (crescimento de pelos em determinadas regiões do corpo), a acne e a alopecia androgenética feminina (calvície feminina).
Alguns quadros de perda capilar estão ligados, entre diversos outros fatores, a uma regulação desses hormônios masculinos (como a testosterona, por exemplo). Estudos apontam os andrógenos, como responsáveis, em grande parte, pela regulação do crescimento capilar nas diversas regiões corporais. No couro cabeludo, o excesso desses hormônios provoca a involução do fio (deixando ele cada vez mais fininho, mais curto e com coloração mais clara).
As principais opções de tratamento para distúrbios de hiperandrogenismo incluem os anticoncepcionais orais e os antiandrógenos. Estrógenos e progestágenos (presentes nos anticoncepcionais orais) possuem uma ação antiandrogênica (ou seja, eles inibem a ação desses hormônios masculinos), sendo os estrógenos por inibição da secreção das gonadotrofinas e os progestágenos pela competição do sítio de ação na célula alvo.
Dessa forma, seria coerente pensar que aplicando um estrógeno ou um progestágeno no cabelo resolveria problemas como a queda e o crescimento lento. Nesse caso, para pessoas que buscam desesperadamente uma solução, a fonte mais rápida desses dois compostos ao mesmo tempo são os comprimidos de anticoncepcional adicionados ao cosmético mais usado nos cabelos, o xampu.
Entretanto devemos nos lembrar de alguns detalhes:
- A quantidade desses fármacos, progestágeno e estrógeno, em cada comprimido é extremamente pequena, 0,00015 gramas e 0,00002 gramas respectivamente! Tanto é que tomamos diariamente um comprimido. Dessa forma porque apenas um comprimido, colocado em um frasco de xampu (que geralmente dura um mês inteiro) seria suficiente pra dar resultado? E porque que simplesmente tomar o anticoncepcional (forma convencional) não adiantaria?
- Mesmo que uma cartela inteira fosse colocada em um frasco de xampu: o tempo que o xampu fica em contato com o cabelo é de uns 2 minutos, esse tempo é adequado para a penetração desses ativos no couro cabeludo? Os componentes do xampu não poderiam alterar ou diminuir a ação dos ativos colocados nele?
Embora tenha fundamento o uso desses hormônios para combater a queda capilar (se a causa dessa for hormonal, porque do contrário não teria lógica o uso), a solução não será colocando um comprimido que foi totalmente planejado e processado para uso oral, dentro de um xampu qualquer.
Se você tem problemas de queda de cabelo consulte o seu dermatologista. Ele vai ser a pessoa mais indicada para prescrever um tratamento adequado.
Já se o seu cabelo cresce devagar, tente mudar os hábitos alimentares, pois eles realmente influenciam! Mas se isso não funcionar encare o fato: a genética de cada pessoa dita a sua biologia toda, não há muito como lutar contra!
Vamos contextualizar:
O hiperandrogenismo é um quadro clínico desenvolvido devido ao aumento da produção e ação biológica dos andrógenos (hormônios masculinos – presentes tanto em homens quanto em mulheres). No hiperandrogenismo feminino ocorrem quadros clínicos de severidade variável, entre esses distúrbios estão o hirsutismo (crescimento de pelos em determinadas regiões do corpo), a acne e a alopecia androgenética feminina (calvície feminina).
Alguns quadros de perda capilar estão ligados, entre diversos outros fatores, a uma regulação desses hormônios masculinos (como a testosterona, por exemplo). Estudos apontam os andrógenos, como responsáveis, em grande parte, pela regulação do crescimento capilar nas diversas regiões corporais. No couro cabeludo, o excesso desses hormônios provoca a involução do fio (deixando ele cada vez mais fininho, mais curto e com coloração mais clara).
As principais opções de tratamento para distúrbios de hiperandrogenismo incluem os anticoncepcionais orais e os antiandrógenos. Estrógenos e progestágenos (presentes nos anticoncepcionais orais) possuem uma ação antiandrogênica (ou seja, eles inibem a ação desses hormônios masculinos), sendo os estrógenos por inibição da secreção das gonadotrofinas e os progestágenos pela competição do sítio de ação na célula alvo.
Dessa forma, seria coerente pensar que aplicando um estrógeno ou um progestágeno no cabelo resolveria problemas como a queda e o crescimento lento. Nesse caso, para pessoas que buscam desesperadamente uma solução, a fonte mais rápida desses dois compostos ao mesmo tempo são os comprimidos de anticoncepcional adicionados ao cosmético mais usado nos cabelos, o xampu.
Entretanto devemos nos lembrar de alguns detalhes:
- A quantidade desses fármacos, progestágeno e estrógeno, em cada comprimido é extremamente pequena, 0,00015 gramas e 0,00002 gramas respectivamente! Tanto é que tomamos diariamente um comprimido. Dessa forma porque apenas um comprimido, colocado em um frasco de xampu (que geralmente dura um mês inteiro) seria suficiente pra dar resultado? E porque que simplesmente tomar o anticoncepcional (forma convencional) não adiantaria?
- Mesmo que uma cartela inteira fosse colocada em um frasco de xampu: o tempo que o xampu fica em contato com o cabelo é de uns 2 minutos, esse tempo é adequado para a penetração desses ativos no couro cabeludo? Os componentes do xampu não poderiam alterar ou diminuir a ação dos ativos colocados nele?
Embora tenha fundamento o uso desses hormônios para combater a queda capilar (se a causa dessa for hormonal, porque do contrário não teria lógica o uso), a solução não será colocando um comprimido que foi totalmente planejado e processado para uso oral, dentro de um xampu qualquer.
Se você tem problemas de queda de cabelo consulte o seu dermatologista. Ele vai ser a pessoa mais indicada para prescrever um tratamento adequado.
Já se o seu cabelo cresce devagar, tente mudar os hábitos alimentares, pois eles realmente influenciam! Mas se isso não funcionar encare o fato: a genética de cada pessoa dita a sua biologia toda, não há muito como lutar contra!
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Mais um pouco ainda de protetor solar...
Como vejo que a grande procura no blog é pelo "famoso teste da Pró-teste" que reprovou 8 marcas de protetor solar, resolvi colocar esses dois links aqui! São ótimos comentários a respeito do teste, um da resvista Cosmetic & Toiletries e o outro do blog Cosmetica em Foco. Então meu caro leitor, aproveite uma leitura realmente séria a respeito desse assunto!
http://www.cosmeticsonline.com.br/ct/ct_le_coluna_site.php?id=25
http://www.cosmeticaemfoco.com.br/2009/12/testes-da-revista-pro-teste.html
http://www.cosmeticsonline.com.br/ct/ct_le_coluna_site.php?id=25
http://www.cosmeticaemfoco.com.br/2009/12/testes-da-revista-pro-teste.html
sábado, 26 de dezembro de 2009
O mito do xampu sem sal!
Há muito tempo que eu ouço a mesma história: Não use xampu com sal, faz mal, resseca, reverte o alisamento feito pela progressiva.
Sinceramente, até hoje ainda não achei nenhuma explicação plausível pra essa recomendação.
Para que você entenda um pouco mais vou fazer uma breve contextualização:
O que é o “sal” (NaCl – cloreto de sódio – sodium chloride) no xampu?
O sal tem como função o espessamento do xampu. Esse espessamento é feito para tornar mais fácil a aplicação do xampu nos cabelos, evitando que ele escorra facilmente. Além disso, um xampu pouco viscoso gera uma sensação de “ralo”, “pouco concentrado”, assim o espessamento também tem um papel na melhora dos aspectos sensoriais.
O sal interage com as cadeias dos tensoativos (que são responsáveis pela limpeza propriamente dita dos cabelos) fazendo com que eles “aumentem de tamanho” (em linguagem técnica: ocorre um aumento do tamanho de micela) e isso gera um aumento na viscosidade final do produto.
A quantidade de sal que é colocada pra se obter esse resultado é geralmente inferior a 1 %. E seria possível colocar mais? NÃO!
Conforme aumenta a quantidade de sal colocada, maior é a viscosidade adquirida, entretanto, isso tem um limite, uma quantidade máxima, pois se essa for excedida O PRODUTO PERDE A VISCOSIDADE TOTALMENTE, voltando a parecer “água”. Ou seja, por mais que uma empresa queira colocar mais sal ela não poderá, pois seu produto não ficará adequadamente viscoso. Assim, qualquer xampu que tenha sal na composição não o apresentará em quantidade muito alta (em geral abaixo de 1 %).
Mas permanece a dúvida: Porque a recomendação de não usar xampu com sal?
Na minha sincera opinião: jogada de marketing por parte das indústrias de cosméticos! O sal é uma matéria-prima barata perto dos outros espessantes (inclusive por ser usado em baixa quantidade). O uso de outros espessantes mais caros, além de todo o mito criado contra o uso do sal, permite que as empresas possam vender produtos mais caros.
Não existe uma explicação plausível para essa recomendação!
Algumas explicações que achei na internet são completamente infundadas, por exemplo:
- O SAL RESSECA O CABELO, PROVA DISSO É COMO FICAM OS CABELOS COM O SAL DO MAR NA PRAIA.
1º - O sal é um composto altamente solúvel em água, logo, com uma ducha de água nos cabelos você rapidamente consegue retirar todo o sal dos cabelos.
2º - A quantidade de sal no mar é de 3 a 5 vezes maior que a de qualquer xampu.
3º - Na água do mar não tem só sal e água, e sim diversos outros compostos químicos, além de sujeira e microorganismos imperceptíveis ao olho humano. O cabelo não fica ressecado depois de um banho de mar e sim sujo!
4º - O que resseca os cabelos na praia não é a água do mar, e sim as radiações solares as quais estamos expostos! Lembre-se que mesmo em dias nublados estamos sujeitos às radiações UV (sim! Elas podem ultrapassar as nuvens e lesar nossa pele e cabelos).
- O SAL REAGE COM OS PRODUTOS DE ALISAMENTO E REMOVE-OS REVERTENDO O ALISAMENTO
No alisamento, os produtos utilizados não ficam no cabelo pra sempre. Eles são aplicados e através de reações químicas modificam as ligações químicas do cabelo, sendo retirados após todo processo. Não existe um alisamento que deixe um produto no fio que “segure” o fio para ele não encrespar!
Além disso, não há relatos na literatura que comprovem que existe uma incompatibilidade química entre o sal do xampu e cabelos alisados, capaz de reverter quimicamente o alisamento.
- O SAL AUMENTA O pH DO XAMPU, E ISSO É PREJUDICIAL.
A quantidade de sal colocada nos xampus não é suficiente para alterar o pH do xampu. Além disso, o xampu de limpeza profunda, que tem pH mais alto, não tem seu uso proibido para pessoas que fazem alisamento.
Enfim, enquanto uma explicação (cientificamente comprovada) não aparecer sigo com a mesma opinião: a recomendação do uso de xampu sem sal é jogada de marketing das empresas de cosméticos para supervalorizar seus produtos, agregando valores mais altos a eles!
Até porque o nosso suor tem sal (sim! NaCl)... então devo pensar que o suor é capaz de ressecar os cabelos e reverter o processo de alisamento capilar?
Se vocês tiver alguma explicação plausível, com algum embasamento químico, por favor deixe postado aqui!
Sinceramente, até hoje ainda não achei nenhuma explicação plausível pra essa recomendação.
Para que você entenda um pouco mais vou fazer uma breve contextualização:
O que é o “sal” (NaCl – cloreto de sódio – sodium chloride) no xampu?
O sal tem como função o espessamento do xampu. Esse espessamento é feito para tornar mais fácil a aplicação do xampu nos cabelos, evitando que ele escorra facilmente. Além disso, um xampu pouco viscoso gera uma sensação de “ralo”, “pouco concentrado”, assim o espessamento também tem um papel na melhora dos aspectos sensoriais.
O sal interage com as cadeias dos tensoativos (que são responsáveis pela limpeza propriamente dita dos cabelos) fazendo com que eles “aumentem de tamanho” (em linguagem técnica: ocorre um aumento do tamanho de micela) e isso gera um aumento na viscosidade final do produto.
A quantidade de sal que é colocada pra se obter esse resultado é geralmente inferior a 1 %. E seria possível colocar mais? NÃO!
Conforme aumenta a quantidade de sal colocada, maior é a viscosidade adquirida, entretanto, isso tem um limite, uma quantidade máxima, pois se essa for excedida O PRODUTO PERDE A VISCOSIDADE TOTALMENTE, voltando a parecer “água”. Ou seja, por mais que uma empresa queira colocar mais sal ela não poderá, pois seu produto não ficará adequadamente viscoso. Assim, qualquer xampu que tenha sal na composição não o apresentará em quantidade muito alta (em geral abaixo de 1 %).
Mas permanece a dúvida: Porque a recomendação de não usar xampu com sal?
Na minha sincera opinião: jogada de marketing por parte das indústrias de cosméticos! O sal é uma matéria-prima barata perto dos outros espessantes (inclusive por ser usado em baixa quantidade). O uso de outros espessantes mais caros, além de todo o mito criado contra o uso do sal, permite que as empresas possam vender produtos mais caros.
Não existe uma explicação plausível para essa recomendação!
Algumas explicações que achei na internet são completamente infundadas, por exemplo:
- O SAL RESSECA O CABELO, PROVA DISSO É COMO FICAM OS CABELOS COM O SAL DO MAR NA PRAIA.
1º - O sal é um composto altamente solúvel em água, logo, com uma ducha de água nos cabelos você rapidamente consegue retirar todo o sal dos cabelos.
2º - A quantidade de sal no mar é de 3 a 5 vezes maior que a de qualquer xampu.
3º - Na água do mar não tem só sal e água, e sim diversos outros compostos químicos, além de sujeira e microorganismos imperceptíveis ao olho humano. O cabelo não fica ressecado depois de um banho de mar e sim sujo!
4º - O que resseca os cabelos na praia não é a água do mar, e sim as radiações solares as quais estamos expostos! Lembre-se que mesmo em dias nublados estamos sujeitos às radiações UV (sim! Elas podem ultrapassar as nuvens e lesar nossa pele e cabelos).
- O SAL REAGE COM OS PRODUTOS DE ALISAMENTO E REMOVE-OS REVERTENDO O ALISAMENTO
No alisamento, os produtos utilizados não ficam no cabelo pra sempre. Eles são aplicados e através de reações químicas modificam as ligações químicas do cabelo, sendo retirados após todo processo. Não existe um alisamento que deixe um produto no fio que “segure” o fio para ele não encrespar!
Além disso, não há relatos na literatura que comprovem que existe uma incompatibilidade química entre o sal do xampu e cabelos alisados, capaz de reverter quimicamente o alisamento.
- O SAL AUMENTA O pH DO XAMPU, E ISSO É PREJUDICIAL.
A quantidade de sal colocada nos xampus não é suficiente para alterar o pH do xampu. Além disso, o xampu de limpeza profunda, que tem pH mais alto, não tem seu uso proibido para pessoas que fazem alisamento.
Enfim, enquanto uma explicação (cientificamente comprovada) não aparecer sigo com a mesma opinião: a recomendação do uso de xampu sem sal é jogada de marketing das empresas de cosméticos para supervalorizar seus produtos, agregando valores mais altos a eles!
Até porque o nosso suor tem sal (sim! NaCl)... então devo pensar que o suor é capaz de ressecar os cabelos e reverter o processo de alisamento capilar?
Se vocês tiver alguma explicação plausível, com algum embasamento químico, por favor deixe postado aqui!
sábado, 5 de dezembro de 2009
Nota - Protetores solar
Tanto a ANVISA (Agência nacional de Vigilância Sanitária) quanto o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) ainda não se manifestaram sobre o teste com 10 protetores solar feitos pelo Pro Teste.
Apenas a Sociedade Brasileira de Dermatologia se posicionou informando que não reconhece como válido o teste.
Apenas a Sociedade Brasileira de Dermatologia se posicionou informando que não reconhece como válido o teste.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Curiosidades a respeito de bronzeamento e tons de pele
Nossa Cor!
A nossa cor provém da misturas de vários pigmentos existentes no nosso corpo. Os principais são a Eumelanina (coloração marrom) e a Feomelanina (coloração vermelha e amarela).
Esses dois pigmentos são sintetizados a partir do aminoácido tirosina. A partir de reações bioquímicas da enzima tirosinase, presente nos melanossomas (complexo que produz a melanina dentro das células chamadas melanócitos, que ficam nas camadas mais profundas da pele), a tirosina é convertida em eumelanina ou, juntamente com outro aminoácido (cistina), convertida em feomelanina.
A diferença nos tons de pele se da pela diferença de tamanho dos melanossomas presentes em cada melanócito, e não pela quantidade de melanina produzida (essa é sempre igual). Ou seja, peles brancas têm melanossomas com eumelanina menores que os melanossomas de eumelanina produzidos pela pele negra.
Alguns pigmentos como a hemoglobina (pigmento vermelho do sangue) e os carotenóides (pigmento laranja presente na pele que pode ser obtido também pela alimentação) contribuem para o tom final da pele.
Bronzeamento
A melanina é um fotoprotetor natural, assim depois de produzida, a melanina é transferida para as camadas mais superficiais da pele para conferir essa proteção frente aos danos que o sol pode provocar.
Quando somos expostos às radiações UV, ocorre um estímulo celular aumentando a produção de pigmentos nos melanócitos. Devido a essa resposta biológica é que ficamos mais escurinhos após uma exposição mais prolongada ao sol.
Mas daí surge a pergunta: Porque tem gente que fica horas no sol e não pega uma corzinha?
Simples! Em algumas pessoas a melanina produzida degrada durante o processo de transferência até a superfície da pele, não aumentando o tom da cor final da pele. Vale lembrar aqui que essas pessoas, por esse motivo, têm uma suscetibilidade maior a danos cutâneos e por isso devem usar um filtro solar potente!
Os autobronzeadores do mercado e o bronzeamento a jato têm como principal componente a Dihidroxiacetona (DHA). A DHA liga-se aos aminoácidos da nossa pele resultando em compostos com pigmentos que variam do laranja ao marrom, esses pigmentos têm a capacidade de ficarem retidos à pele por dias. Conforme a composição (de aminoácidos) de cada pele tem-se uma ou outra coloração final. Por isso que algumas pessoas que usam esses produtos ficam morenas (com aparência de bronzeado do sol) e outras ficam meio alaranjadas!
Aceleradores de bronzeamento
Esses produtos têm tirosina e cistina na sua composição (aqueles aminoácidos que são convertidos em eumelanina e feomelanina). Algumas empresas afirmam que a aplicação desses aminoácidos diretamente sobre a pele poderia estimular a produção de melanina (eu não acredito que essas formulações consigam penetrar profundamente na pele para aumentar a quantidade desses aminoácidos no sítio de produção da melanina – também, alguns autores afirmam que o aumento da quantidade dos aminoácidos no sítio de ação não aumenta a quantidade de reações de conversão).
Cápsulas de Betacaroteno
O betacaroteno é um pigmento alaranjado presente na pele. O consumo através de cápsulas ou alimentos (como a cenoura) pode aumentar a quantidade dele na pele. O problema é que um excesso de ingestão de betacaroteno, ao invés de resultar em um aspecto mais bronzeado, pode acabar resultando em um aspecto mais alaranjado.
A nossa cor provém da misturas de vários pigmentos existentes no nosso corpo. Os principais são a Eumelanina (coloração marrom) e a Feomelanina (coloração vermelha e amarela).
Esses dois pigmentos são sintetizados a partir do aminoácido tirosina. A partir de reações bioquímicas da enzima tirosinase, presente nos melanossomas (complexo que produz a melanina dentro das células chamadas melanócitos, que ficam nas camadas mais profundas da pele), a tirosina é convertida em eumelanina ou, juntamente com outro aminoácido (cistina), convertida em feomelanina.
A diferença nos tons de pele se da pela diferença de tamanho dos melanossomas presentes em cada melanócito, e não pela quantidade de melanina produzida (essa é sempre igual). Ou seja, peles brancas têm melanossomas com eumelanina menores que os melanossomas de eumelanina produzidos pela pele negra.
Alguns pigmentos como a hemoglobina (pigmento vermelho do sangue) e os carotenóides (pigmento laranja presente na pele que pode ser obtido também pela alimentação) contribuem para o tom final da pele.
Bronzeamento
A melanina é um fotoprotetor natural, assim depois de produzida, a melanina é transferida para as camadas mais superficiais da pele para conferir essa proteção frente aos danos que o sol pode provocar.
Quando somos expostos às radiações UV, ocorre um estímulo celular aumentando a produção de pigmentos nos melanócitos. Devido a essa resposta biológica é que ficamos mais escurinhos após uma exposição mais prolongada ao sol.
Mas daí surge a pergunta: Porque tem gente que fica horas no sol e não pega uma corzinha?
Simples! Em algumas pessoas a melanina produzida degrada durante o processo de transferência até a superfície da pele, não aumentando o tom da cor final da pele. Vale lembrar aqui que essas pessoas, por esse motivo, têm uma suscetibilidade maior a danos cutâneos e por isso devem usar um filtro solar potente!
Os autobronzeadores do mercado e o bronzeamento a jato têm como principal componente a Dihidroxiacetona (DHA). A DHA liga-se aos aminoácidos da nossa pele resultando em compostos com pigmentos que variam do laranja ao marrom, esses pigmentos têm a capacidade de ficarem retidos à pele por dias. Conforme a composição (de aminoácidos) de cada pele tem-se uma ou outra coloração final. Por isso que algumas pessoas que usam esses produtos ficam morenas (com aparência de bronzeado do sol) e outras ficam meio alaranjadas!
Aceleradores de bronzeamento
Esses produtos têm tirosina e cistina na sua composição (aqueles aminoácidos que são convertidos em eumelanina e feomelanina). Algumas empresas afirmam que a aplicação desses aminoácidos diretamente sobre a pele poderia estimular a produção de melanina (eu não acredito que essas formulações consigam penetrar profundamente na pele para aumentar a quantidade desses aminoácidos no sítio de produção da melanina – também, alguns autores afirmam que o aumento da quantidade dos aminoácidos no sítio de ação não aumenta a quantidade de reações de conversão).
Cápsulas de Betacaroteno
O betacaroteno é um pigmento alaranjado presente na pele. O consumo através de cápsulas ou alimentos (como a cenoura) pode aumentar a quantidade dele na pele. O problema é que um excesso de ingestão de betacaroteno, ao invés de resultar em um aspecto mais bronzeado, pode acabar resultando em um aspecto mais alaranjado.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Protetores solar reprovados?
Quando a radiação UV atinge a pele, uma parte dela é refletida e a outra parte é absorvida. Como resposta a essa absorção, ocorre o desenvolvimento de eritema (vermelhidão na pele), melanogênese (produção de melanina, o que dá a coloração à pele) e o aumento de queratinócitos (células que formam a epiderme - camada mais superficial da pele). Também pode ocorrer a alteração do pH da pele, levando a desidratação, xerodermia (Secura excessiva da pele com descamação fina e pulverulenta), e descamação (é quando a pele descasca depois de um tempo).
Como conseqüência a uma exposição demasiada pode haver a formação de queimaduras da pele, desde as mais leves (caracterizadas por uma vermelhidão dolorida) até queimaduras de 3º grau (com formação de bolhas e feridas inflamadas). Além disso, a radiação solar pode induzir a formação de radicais livres, que são os responsáveis pelo desenvolvimento de rugas.
A radiação UVA é menos energética, porém penetra mais profundamente na pele, podendo atingir as camadas mais profundas. Ela é a responsável pelo fotoenvelhecimento. Já a radiação UVB é menos penetrante, porém ela também pode atingir camadas mais profundas e contribuir no fotoenvelhecimento. Além disso, a radiação UVB tem o poder de atingir o DNA das células podendo desenvolver um câncer de pele.
Para contextualizar: Radiação UVA é a radiação das câmaras de bronzeamento artificial. Ela é menos agressiva, mas pode causar grandes danos, por isso a proibição do uso dessas câmaras pela ANVISA
(http://www.anvisa.gov.br/DIVULGA/NOTICIAS/2009/111109.htm).
Os filtros solar atuam absorvendo a radiação UV transformando-a em radiações menos energéticas e mais inofensivas ao nosso organismo. Eles são usados para proteger o corpo das radiações que somos expostos diariamente.
Essa semana o jornal O Globo publicou os resultados de testes feitos com filtros solar pelo “Pro Teste” (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor). Nesse teste 8 marcas, de 10 analisadas, foram reprovadas por diferentes motivos.
“Foram avaliados os produtos Avon Sun, L'Oreal Solar Expertise, Cenoura & Bronze, Helioblock (da La Roche Posay), Episol Loção Oil Free, Coppertone Loção, Sundown Complex, Natura Fotoequilíbrio, Nívea Sun e Banana Boat Bloqueador Solar Ultra (todos com FPS 30).
No teste, foram examinados fatores como: a quantidade de informação no rótulo, a qualidade das substâncias em sua composição, a chance de causar irritabilidade, a hidratação, a proteção, a resistência à água e sua textura.”
(http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2009/12/01/pro-teste-reprova-oito-marcas-de-protetor-solar-entre-eles-produtos-como-sundown-avon-nivea-banana-boat-la-roche-posay-914998729.asp)
A revista Marie Clair traz mais detalhados os resultados de cada filtro:
http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI107935-17605,00-PROTETORES+SOLARES+DERRAPAM+EM+TESTE+DE+RESISTENCIA+CONFIRA+O+RESULTADO.html
Pra você entender o porquê da reprovação desses filtros:
Perda do FPS: O FPS informa quantas vezes mais um indivíduo pode ficar exposto ao sol com filtro, em relação ao tempo que queimaria sem filtro (ou seja, com um protetor solar de FPS 30 você está 30 vezes mais protegido do que quando não usar filtro). Por isso é importante que o filtro solar mantenha o seu grau de proteção por um período prolongado. Muitos filtros garantem (no rótulo pelo menos) 8 horas de duração. Marcas como Nívea e Sundown foram reprovadas por perderem 50 % da sua capacidade de proteção na primeira hora de uso. Já a marca Copertone foi reprovada por declarar um FPS de 30 na embalagem e conter um FPS de 25. Embora essa diferença possa não ser significativa para pessoas de pele mais escura, para pessoas de pele muito clara essa diferença é muito grande.
Resistência à água: é importante que os protetores solar sejam resistentes à água, ou seja, que não saiam (nem parcialmente!) após um banho de mar, piscina, riacho e etc. Marcas como Sundown e Natura foram reprovadas por apresentarem uma redução do produto para 55 % e 30 % respectivamente.
Dicas importantes para uso de protetores solar
- Embora a validade do frasco seja de dois anos, após abertura do produto ele não dura muito se não for guardado corretamente (longe do calor e da luz). O ideal mesmo é comprar um protetor solar novo a cada veraneio.
- A quantidade que se passa não precisa ser grande, porém deve ser suficiente para cobrir toda a área que se deseja proteger. A reaplicação com o passar do tempo é muito importante!
- O Produto deve ser aplicado 20 minutos antes da exposição ao sol. Dessa forma ele adere melhor à pele tendo um resultado melhor.
- Cuide para não colocar a roupa antes que produto seque totalmente, pois isso pode acabar retirando parte do produto aplicado.
Algumas literaturas interessantes:
- Protetor Solar FPS100 - Photoprot - Desenvolvido por alunos da UFRGS em parceria com a Biolab! (http://bala-magica.blogspot.com/2009/11/photoprot-primeiro-fotoprotetor-100.html)
- Karina Paese – Dissertação de Mestrado da Faculdade de farmácia da UFRGS (http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/13393).
- Débora Nakai – Dissertação de Mestrado do instituto de química da UNICAMP (http://biq.iqm.unicamp.br/arquivos%20/teses/ficha35173.htm)
- http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/protetorSolar.asp
- Revista Química Nova, volume 30, número 1, pág 153-158, 2007.
Como conseqüência a uma exposição demasiada pode haver a formação de queimaduras da pele, desde as mais leves (caracterizadas por uma vermelhidão dolorida) até queimaduras de 3º grau (com formação de bolhas e feridas inflamadas). Além disso, a radiação solar pode induzir a formação de radicais livres, que são os responsáveis pelo desenvolvimento de rugas.
A radiação UVA é menos energética, porém penetra mais profundamente na pele, podendo atingir as camadas mais profundas. Ela é a responsável pelo fotoenvelhecimento. Já a radiação UVB é menos penetrante, porém ela também pode atingir camadas mais profundas e contribuir no fotoenvelhecimento. Além disso, a radiação UVB tem o poder de atingir o DNA das células podendo desenvolver um câncer de pele.
Para contextualizar: Radiação UVA é a radiação das câmaras de bronzeamento artificial. Ela é menos agressiva, mas pode causar grandes danos, por isso a proibição do uso dessas câmaras pela ANVISA
(http://www.anvisa.gov.br/DIVULGA/NOTICIAS/2009/111109.htm).
Os filtros solar atuam absorvendo a radiação UV transformando-a em radiações menos energéticas e mais inofensivas ao nosso organismo. Eles são usados para proteger o corpo das radiações que somos expostos diariamente.
Essa semana o jornal O Globo publicou os resultados de testes feitos com filtros solar pelo “Pro Teste” (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor). Nesse teste 8 marcas, de 10 analisadas, foram reprovadas por diferentes motivos.
“Foram avaliados os produtos Avon Sun, L'Oreal Solar Expertise, Cenoura & Bronze, Helioblock (da La Roche Posay), Episol Loção Oil Free, Coppertone Loção, Sundown Complex, Natura Fotoequilíbrio, Nívea Sun e Banana Boat Bloqueador Solar Ultra (todos com FPS 30).
No teste, foram examinados fatores como: a quantidade de informação no rótulo, a qualidade das substâncias em sua composição, a chance de causar irritabilidade, a hidratação, a proteção, a resistência à água e sua textura.”
(http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2009/12/01/pro-teste-reprova-oito-marcas-de-protetor-solar-entre-eles-produtos-como-sundown-avon-nivea-banana-boat-la-roche-posay-914998729.asp)
A revista Marie Clair traz mais detalhados os resultados de cada filtro:
http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI107935-17605,00-PROTETORES+SOLARES+DERRAPAM+EM+TESTE+DE+RESISTENCIA+CONFIRA+O+RESULTADO.html
Pra você entender o porquê da reprovação desses filtros:
Perda do FPS: O FPS informa quantas vezes mais um indivíduo pode ficar exposto ao sol com filtro, em relação ao tempo que queimaria sem filtro (ou seja, com um protetor solar de FPS 30 você está 30 vezes mais protegido do que quando não usar filtro). Por isso é importante que o filtro solar mantenha o seu grau de proteção por um período prolongado. Muitos filtros garantem (no rótulo pelo menos) 8 horas de duração. Marcas como Nívea e Sundown foram reprovadas por perderem 50 % da sua capacidade de proteção na primeira hora de uso. Já a marca Copertone foi reprovada por declarar um FPS de 30 na embalagem e conter um FPS de 25. Embora essa diferença possa não ser significativa para pessoas de pele mais escura, para pessoas de pele muito clara essa diferença é muito grande.
Resistência à água: é importante que os protetores solar sejam resistentes à água, ou seja, que não saiam (nem parcialmente!) após um banho de mar, piscina, riacho e etc. Marcas como Sundown e Natura foram reprovadas por apresentarem uma redução do produto para 55 % e 30 % respectivamente.
Dicas importantes para uso de protetores solar
- Embora a validade do frasco seja de dois anos, após abertura do produto ele não dura muito se não for guardado corretamente (longe do calor e da luz). O ideal mesmo é comprar um protetor solar novo a cada veraneio.
- A quantidade que se passa não precisa ser grande, porém deve ser suficiente para cobrir toda a área que se deseja proteger. A reaplicação com o passar do tempo é muito importante!
- O Produto deve ser aplicado 20 minutos antes da exposição ao sol. Dessa forma ele adere melhor à pele tendo um resultado melhor.
- Cuide para não colocar a roupa antes que produto seque totalmente, pois isso pode acabar retirando parte do produto aplicado.
Algumas literaturas interessantes:
- Protetor Solar FPS100 - Photoprot - Desenvolvido por alunos da UFRGS em parceria com a Biolab! (http://bala-magica.blogspot.com/2009/11/photoprot-primeiro-fotoprotetor-100.html)
- Karina Paese – Dissertação de Mestrado da Faculdade de farmácia da UFRGS (http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/13393).
- Débora Nakai – Dissertação de Mestrado do instituto de química da UNICAMP (http://biq.iqm.unicamp.br/arquivos%20/teses/ficha35173.htm)
- http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/protetorSolar.asp
- Revista Química Nova, volume 30, número 1, pág 153-158, 2007.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Plástica Capilar?
"Se a tesoura não está nos seus planos, ou mesmo enfrentar o verão com os cabelos curtos, invista em técnicas poderosas de recuperação dos fios, como fez a comediante Claudia Rodrigues. Ela utilizou a técnica de plástica capilar das 12 proteínas para recuperar o aspecto saudável dos fios, que são tingidos."
Esse trecho foi retirado de uma reportagem do site Beleza e Bem Estar (Terra), que me foi enviado por e-mail hoje. Ao ler essa reportagem levei um choque: “Como assim PLÁSTICA CAPILAR???”
O nome é muito estranho, e mais estranho ainda eram os componentes da fórmula que o site citava. Entre eles estavam:
- damasco
- ginseng
- extrato de rubi
- queratina
- proteínas da seda
- polímeros de silicone
- óleo de cacau
- melaço da cana
- aminoácido
- ômega 3
Fui para literatura científica (que sinceramente é a única que ainda confio) para ver se havia alguma referência de uso desses componentes. Abaixo estão alguns achados.
Damasco: Existe um produto para crescimento capilar e restauração que usa “Japanese Apricot”, que acredito ser um tipo de damasco. A patente relata que o extrato é capaz de auxiliar no crescimento e regeneração da fibra capilar (mas não achei a explicação do porque).
Ginseng: Alguns estudos indicam uma ação para crescimento capilar e restauração medular. A medula capilar não está presente em toda a haste (somente na porção inicial – na parte que fica para dentro da pele), e tem pouca participação na estruturação do fio (no seu brilho, maleabilidade), não sendo alvo dos produtos cosméticos. Nesses estudos são feitos testes in vitro utilizando cultura celular, ou seja, a aplicação in vivo, tópica, não foi testada (não se sabe se o extrato de ginseng é capaz de permear a pele para atingir o bulbo capilar auxiliando na reconstrução da medula e no crescimento).
Obviamente que extrato de rubi e o melaço de cana não tinham referências de uso na literatura científica. Sinceramente, acredito que não seja possível fazer um extrato de rubi. Os demais componentes são utilizados por suas propriedades emolientes e protetoras.
Procurando um pouco mais a respeito desse tratamento, achei no site da Abril.com (Revista Boa Forma) uma explicação mais plausível a respeito:
"Essa nova técnica de revitalização foi desenvolvida pela indústria cosmética japonesa (sim, a mesma que criou o recondicionamento térmico para alisamento de longa duração) e, em pouco tempo, ganhou adeptas fervorosas no mundo todo. Tecnicamente, trata-se de um processo capaz de repor as proteínas perdidas. “Em outras palavras, significa nutrir internamente os fios, o que vai deixá-los macios, brilhantes, maleáveis”, explica Aldeni Ribeiro, proprietária do salão Lay Out, em São Paulo (SP), um dos primeiros a divulgar a técnica."
Em outras palavras, trate-se de um procedimento já conhecido: a (re)queratinização capilar.
A queratina é a proteína predominante na estrutura do fio capilar. Quando o fio passa por processos como limpeza, escovação ou tratamentos químicos, uma quantidade grande de queratina é perdida ou danificada. Isso leva a uma diminuição na maleabilidade do fio (ele fica mais quebradiço), perda do brilho e ressecamento.
Para o alisamento capilar, por exemplo, é necessária a desestruturação dessas cadeias protéicas para poder dar nova forma aos cabelos. Embora exista uma etapa para a recomposição das cadeias de queratina, geralmente essa é incompleta, e nem todas as cadeias desestruturadas voltam a se reestruturar. Assim o fio fica danificado, mais frágil e mais vulnerável.
Dessa forma, muitos produtos para recuperação capilar são preparados primordialmente com queratina. Outras proteínas também são incorporadas para tentar reestruturar o fio capilar. Na plástica capilar (assim como em outros tratamentos iguais, porém com nomes diferentes) os passos são basicamente os seguintes:
- Lavagem inicial dos cabelos com xampu de limpeza profunda: esses xampus possuem um pH a cima de 7, o que proporciona a abertura da cutícula capilar, permitindo uma limpeza maior. Além disso, essa abertura das cutículas ainda irá permitir que o próximo produto aplicado tenha uma penetração maior (mais profunda).
- Aplicação de um creme a base de queratina e outras proteínas: para tentar reparar os danos que o cabelo sofreu. Nessa etapa pode-se aplicar uma fonte de calor, para acelerar e aumentar a penetração desses ativos.
- Aplicação de um segundo creme: esse segundo creme pode ser aplicado ou não. Geralmente ele contém alguns outros componentes condicionantes, emolientes, para um resultado melhor. Muitas vezes esses cremes podem conter ceramidas. As ceramidas têm um papel de “cimento” entre as cutículas, ou seja, são capazes de fechar aquelas cutículas que foram inicialmente abertas, deixando o cabelo com um aspecto mais sedoso, mais “solto”.
- Escova ou chapinha (prancha): como última etapa aplica-se uma nova fonte de calor para “selar” os produtos no cabelo, ou seja, garantir a fixação deles à haste capilar, assim como tentar fazer o fechamento das cutículas abertas. Além disso, a chapinha ou a escova conferem um formato mais organizado aos cabelos, sendo uma espécie de retoque final.
Sinceramente eu acredito que essa última etapa seja feita mais para garantir um cabelo bonito no final, para que a cliente acredite que o tratamento realmente funcionou (não que não funcione, mas milagres não são possíveis). O correto seria deixar o cabelo secar naturalmente pra ver o aspecto real que ele ficou.
Algumas referências interessantes para se ler são:
Polymer, vol. 39, n.16, pag.3835-3840, 1998.
Clinics in Dermatology, vol. 19, pag. 341-346, 2001.
Phytotherapy. Research, vol. 17, pág. 797–800, 2003.
U.S. Patent number: 4369037 - Hair treatment cosmetics containing cationic keratin derivatives.
Site da revista Boa Forma: http://boaforma.abril.com.br/beleza/cabelo/plastica-cabelos-497254.shtml?pagina=0
Reportagem retirada do Site do Terra - http://beleza.terra.com.br/mulher/interna/0,,OI4130167-EI7590,00-Plastica+capilar+das+proteinas+impressiona+a+comediante.html
Se surgirem dúvidas é só perguntar!
Esse trecho foi retirado de uma reportagem do site Beleza e Bem Estar (Terra), que me foi enviado por e-mail hoje. Ao ler essa reportagem levei um choque: “Como assim PLÁSTICA CAPILAR???”
O nome é muito estranho, e mais estranho ainda eram os componentes da fórmula que o site citava. Entre eles estavam:
- damasco
- ginseng
- extrato de rubi
- queratina
- proteínas da seda
- polímeros de silicone
- óleo de cacau
- melaço da cana
- aminoácido
- ômega 3
Fui para literatura científica (que sinceramente é a única que ainda confio) para ver se havia alguma referência de uso desses componentes. Abaixo estão alguns achados.
Damasco: Existe um produto para crescimento capilar e restauração que usa “Japanese Apricot”, que acredito ser um tipo de damasco. A patente relata que o extrato é capaz de auxiliar no crescimento e regeneração da fibra capilar (mas não achei a explicação do porque).
Ginseng: Alguns estudos indicam uma ação para crescimento capilar e restauração medular. A medula capilar não está presente em toda a haste (somente na porção inicial – na parte que fica para dentro da pele), e tem pouca participação na estruturação do fio (no seu brilho, maleabilidade), não sendo alvo dos produtos cosméticos. Nesses estudos são feitos testes in vitro utilizando cultura celular, ou seja, a aplicação in vivo, tópica, não foi testada (não se sabe se o extrato de ginseng é capaz de permear a pele para atingir o bulbo capilar auxiliando na reconstrução da medula e no crescimento).
Obviamente que extrato de rubi e o melaço de cana não tinham referências de uso na literatura científica. Sinceramente, acredito que não seja possível fazer um extrato de rubi. Os demais componentes são utilizados por suas propriedades emolientes e protetoras.
Procurando um pouco mais a respeito desse tratamento, achei no site da Abril.com (Revista Boa Forma) uma explicação mais plausível a respeito:
"Essa nova técnica de revitalização foi desenvolvida pela indústria cosmética japonesa (sim, a mesma que criou o recondicionamento térmico para alisamento de longa duração) e, em pouco tempo, ganhou adeptas fervorosas no mundo todo. Tecnicamente, trata-se de um processo capaz de repor as proteínas perdidas. “Em outras palavras, significa nutrir internamente os fios, o que vai deixá-los macios, brilhantes, maleáveis”, explica Aldeni Ribeiro, proprietária do salão Lay Out, em São Paulo (SP), um dos primeiros a divulgar a técnica."
Em outras palavras, trate-se de um procedimento já conhecido: a (re)queratinização capilar.
A queratina é a proteína predominante na estrutura do fio capilar. Quando o fio passa por processos como limpeza, escovação ou tratamentos químicos, uma quantidade grande de queratina é perdida ou danificada. Isso leva a uma diminuição na maleabilidade do fio (ele fica mais quebradiço), perda do brilho e ressecamento.
Para o alisamento capilar, por exemplo, é necessária a desestruturação dessas cadeias protéicas para poder dar nova forma aos cabelos. Embora exista uma etapa para a recomposição das cadeias de queratina, geralmente essa é incompleta, e nem todas as cadeias desestruturadas voltam a se reestruturar. Assim o fio fica danificado, mais frágil e mais vulnerável.
Dessa forma, muitos produtos para recuperação capilar são preparados primordialmente com queratina. Outras proteínas também são incorporadas para tentar reestruturar o fio capilar. Na plástica capilar (assim como em outros tratamentos iguais, porém com nomes diferentes) os passos são basicamente os seguintes:
- Lavagem inicial dos cabelos com xampu de limpeza profunda: esses xampus possuem um pH a cima de 7, o que proporciona a abertura da cutícula capilar, permitindo uma limpeza maior. Além disso, essa abertura das cutículas ainda irá permitir que o próximo produto aplicado tenha uma penetração maior (mais profunda).
- Aplicação de um creme a base de queratina e outras proteínas: para tentar reparar os danos que o cabelo sofreu. Nessa etapa pode-se aplicar uma fonte de calor, para acelerar e aumentar a penetração desses ativos.
- Aplicação de um segundo creme: esse segundo creme pode ser aplicado ou não. Geralmente ele contém alguns outros componentes condicionantes, emolientes, para um resultado melhor. Muitas vezes esses cremes podem conter ceramidas. As ceramidas têm um papel de “cimento” entre as cutículas, ou seja, são capazes de fechar aquelas cutículas que foram inicialmente abertas, deixando o cabelo com um aspecto mais sedoso, mais “solto”.
- Escova ou chapinha (prancha): como última etapa aplica-se uma nova fonte de calor para “selar” os produtos no cabelo, ou seja, garantir a fixação deles à haste capilar, assim como tentar fazer o fechamento das cutículas abertas. Além disso, a chapinha ou a escova conferem um formato mais organizado aos cabelos, sendo uma espécie de retoque final.
Sinceramente eu acredito que essa última etapa seja feita mais para garantir um cabelo bonito no final, para que a cliente acredite que o tratamento realmente funcionou (não que não funcione, mas milagres não são possíveis). O correto seria deixar o cabelo secar naturalmente pra ver o aspecto real que ele ficou.
Algumas referências interessantes para se ler são:
Polymer, vol. 39, n.16, pag.3835-3840, 1998.
Clinics in Dermatology, vol. 19, pag. 341-346, 2001.
Phytotherapy. Research, vol. 17, pág. 797–800, 2003.
U.S. Patent number: 4369037 - Hair treatment cosmetics containing cationic keratin derivatives.
Site da revista Boa Forma: http://boaforma.abril.com.br/beleza/cabelo/plastica-cabelos-497254.shtml?pagina=0
Reportagem retirada do Site do Terra - http://beleza.terra.com.br/mulher/interna/0,,OI4130167-EI7590,00-Plastica+capilar+das+proteinas+impressiona+a+comediante.html
Se surgirem dúvidas é só perguntar!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
A Linguagem dos cabeleireiros
"Vivemos entre palavras e por meio delas revelamo-nos para nós próprios e para os outros, buscamos e obtemos informações, comunicamo-nos com os demais; fazemos parte do mundo; representamo-lo e por ele somos representados."
Esse trecho eu retirei de um artigo que casualmente eu encontrei no Google Acadêmico enquanto procurava por algum assunto interessante para postar. Trata-se de um trabalho desenvolvido por uma professora da UNIASUAM, Dra Tânia Maria Nunes de Lima Camara. Ela buscou, em salões de beleza (no Rio de Janeiro), os termos mais utilizados por cabeleireiros com o objetivo de fazer um estudo da língua portuguesa na área lexical. O foco considerado foram as atividades realizadas por cabeleireiros, ou seja, os “produtos” que eles “vendem”, tendo como matéria-prima o cabelo de suas clientes.
Achei bastante interessante porque existem tantos termos nessa área, que muitas vezes nós, consumidores e clientes, nos perdemos e ficamos confusos. Então ai vão os principais termos relacionados no trabalho dessa professora:
ALISAMENTO. Ato de tornar lisos cabelos naturalmente crespos ou ondulados. O mesmo que desfrisagem
ALISAMENTO JAPONÊS. Alisamento e modelagem duradoura do cabelo. O tempo de duração é de seis a oito meses.
“ASTRONG”. Produção de mechas de diferentes tons em porções de cabelo mais volumosos do que a mecha tradicional.
“BABY-LISS”. Produção de cachos artificiais. Ao lavar, o cabelo volta ao normal.
BALAIAGE. Tingimento que produz o efeito de tom sobre tom. É feita com tinta usada no tingimento comum ou com descoloração.
“BOB”. Pequeno tubo cilíndrico usado para enrolar o cabelo, de modo a produzir efeito de ondulação.
BRILHO. Descoloração de mechas finas de cabelo, produzindo tom claro sobre tom escuro. O mesmo que luzes.
BUCLES. Tipo de enrolamento em que o cabelo é enrolado no dedo, formando rolinhos. Denominação atual do antigo “mis-én-plus”.
CARACOL. Forma de enrolamento em que as mechas de cabelo são enroscadas como caracol e presas com grampo.
CHAPINHA. Alisamento quente para tirar a ondulação do cabelo e unificar as pontas. O mesmo que prancha ou piastra.
DECAPAGEM. Retirada, com produto próprio, da pigmentação artificial do cabelo.
“DÉGRADÉE”. Tipo de corte em que o cabelo apresenta diferentes comprimentos, ficando mais curto na parte de cima da cabeça e mais comprido para baixo. O mesmo que camadas ou Pigmalião.
DESCOLORAÇÃO. Ato de retirar pigmentação artificial de modo a igualar a cor antes de fazer novo tingimento.
DESFRISAGEM. Ato de tornar lisos cabelos naturalmente crespos ou ondulados. O mesmo que alisamento.
ESCOVA. Modelagem do cabelo, alisando-o ou encrespando-o. Uso de secador e escova cilíndrica.
HIDRATAÇÃO. Uso de produto próprio para tornar normal o cabelo ressecado, com o auxílio de touca térmica. O mesmo que massagem. Ocorrem dois tipos de variação: a HIDRATAÇÃO A VAPOR, que amplia a ação da hidratação comum, por unificar as pontas; a HIDRATAÇÃO PROFUNDA, em que são usados dois tipos de produto: o primeiro, para abrir os poros do cabelo; o segundo, para unificar e dar brilho.
LÁPIS COLORIDO. Tipo de retoque feito ao redor do rosto, na raiz do cabelo, para colorir cabelos grisalhos. O retoque sai na lavagem do cabelo.
LUZES. Descoloração de mechas finas de cabelo, produzindo tom claro sobre tom escuro. O mesmo que brilho.
MASSAGEM. Uso de produto próprio para tornar normal o cabelo ressecado, com auxílio de touca térmica. O mesmo que hidratação. Apresenta a variação MASSAGEM COLORIDA, que consiste na hidratação do cabelo e na eliminação de pontas queimadas ou danificadas.
MECHA. Clareamento de porções largas de cabelo. Essas porções podem ser divididas usando touca de borracha ou de silicone, papel alumínio e o cabo do pente.
PENTEADO. Arrumação do cabelo. O PENTEADO ARTÍSTICO apresenta diferentes recursos e enfeites no acabamento.
PERMANENTE. Ato de encrespar cabelos lisos, produzir cachos. O mesmo que volumode. Apresenta as variações PERMANENTE AFRO, que consiste em encrespar cabelos naturalmente crespos, e PERMANENTE TINTURADO, que tinge o cabelo e aumenta o seu volume.
PIGMALIÃO. Tipo de corte em que o cabelo apresenta diferentes comprimentos, ficando mais curto na parte de cima da cabeça e mais comprido para baixo. O mesmo que camadas ou "dégradée".
PRANCHA. Alisamento quente para tirar a ondulação do cabelo e unificar as pontas. O mesmo que chapinha ou piastra.
REFLEXO. Clareamento de mechas finas de cabelo, produzindo tom claro sobre tom escuro.
RELAXAMENTO. Alongamento de cabelos crespos, trabalhando desde a raiz.
RINSAGEM. Aplicação de produto próprio, diferente de tinta, para colorir cabelos grisalhos ou bem descolorados. Menos duradoura que a tintura.
"SPRAY" COLORIDO. Produção de efeito provisório de tom sobre tom. O produto sai ao lavar o cabelo.
TINTURA. Coloração. Mudança da cor do cabelo, com produto à base de oxidante, em geral amônia, que penetra nas escamas do cabelo.
TOUCA. Ato de rodear o cabelo na cabeça, com o auxílio de pente e de pinças ou grampos, de modo a torná-lo flexível. Apresenta a variação TOUCA DE GESSO, que amplia a ação da touca comum, por também alongar cabelos crespos; depois de feita a touca, é aplicado o pó de gesso.
TRANÇA. Tipo de penteado em que é feito o cruzamento das mechas divididas no cabelo. Apresenta as variações: TRANÇA NORMAL, com o cruzamento das mechas feito de dentro para fora, e TRANÇA EMBUTIDA, com o cruzamento de fora para dentro.
Para aprimorar um pouco mais essa lista, resolvi colocar alguns outros termos que não apareciam no texto dela, mas tem certa relevância:
LEAVE IN. São condicionadores sem enxágüe. Por terem um conteúdo lipídico menor são mais leves e evitam o aspecto de cabelo engordurado (se a aplicação não for exagerada, logicamente)
PRODUTOS PARA DAR CORPO OU VOLUME. São produtos que possuem agentes químicos que retém água no cabelo, deixando-o hidratado e intumescido (“inchado”), o que confere uma sensação de mais volume ao fio.
PRODUTOS PARA DAR BRILHO. São produtos capazes de deixar a cutícula capilar (que são células achatadas, que se dispõe como “telhas de casa” sobre o fio capilar, protegendo-o) mais plana, assim, quanto mais plana estiverem, mais luz será refletida. É como olhar-se em um rio, se as águas estiverem paradas ele refletirá a sua imagem perfeitamente, já se uma brisa mover essas águas, não será mais possível ver o reflexo da luz.
XAMPU ANTI-RESÍDUO (ou Clarifying). São xampus que contem basicamente os detergentes/agentes de limpeza. Eles permitem a limpeza do fio sem deixar resíduos. É indicado para pessoas que tenham o costume de usar condicionadores sem enxágüe, spray fixador, ceras, géis e etc. Eles apresentam um pH a cima de 7 (alcalino) que provoca a abertura da cutícula. Isso possibilita uma limpeza maior. Mas é importante lembrar que esse tipo de xampu pode dar um aspecto de ressecado ao cabelo, por isso é importante a aplicação de um bom creme hidratante após o seu uso.
CERAS E POMADAS. São produtos à base de ceras capazes de resolver o problema dos cabelos arrepiados (ou “do frizz”). Eles ajudam também a moldar alguns penteados e aumentar o tempo de duração desses.
Existem ainda outros termos que não me ocorreram, mas se surgir alguma dúvida é só postar que eu tento responder!
Esse trecho eu retirei de um artigo que casualmente eu encontrei no Google Acadêmico enquanto procurava por algum assunto interessante para postar. Trata-se de um trabalho desenvolvido por uma professora da UNIASUAM, Dra Tânia Maria Nunes de Lima Camara. Ela buscou, em salões de beleza (no Rio de Janeiro), os termos mais utilizados por cabeleireiros com o objetivo de fazer um estudo da língua portuguesa na área lexical. O foco considerado foram as atividades realizadas por cabeleireiros, ou seja, os “produtos” que eles “vendem”, tendo como matéria-prima o cabelo de suas clientes.
ALISAMENTO. Ato de tornar lisos cabelos naturalmente crespos ou ondulados. O mesmo que desfrisagem
ALISAMENTO JAPONÊS. Alisamento e modelagem duradoura do cabelo. O tempo de duração é de seis a oito meses.
“ASTRONG”. Produção de mechas de diferentes tons em porções de cabelo mais volumosos do que a mecha tradicional.
“BABY-LISS”. Produção de cachos artificiais. Ao lavar, o cabelo volta ao normal.
BALAIAGE. Tingimento que produz o efeito de tom sobre tom. É feita com tinta usada no tingimento comum ou com descoloração.
“BOB”. Pequeno tubo cilíndrico usado para enrolar o cabelo, de modo a produzir efeito de ondulação.
BRILHO. Descoloração de mechas finas de cabelo, produzindo tom claro sobre tom escuro. O mesmo que luzes.
BUCLES. Tipo de enrolamento em que o cabelo é enrolado no dedo, formando rolinhos. Denominação atual do antigo “mis-én-plus”.
CARACOL. Forma de enrolamento em que as mechas de cabelo são enroscadas como caracol e presas com grampo.
CHAPINHA. Alisamento quente para tirar a ondulação do cabelo e unificar as pontas. O mesmo que prancha ou piastra.
DECAPAGEM. Retirada, com produto próprio, da pigmentação artificial do cabelo.
“DÉGRADÉE”. Tipo de corte em que o cabelo apresenta diferentes comprimentos, ficando mais curto na parte de cima da cabeça e mais comprido para baixo. O mesmo que camadas ou Pigmalião.
DESCOLORAÇÃO. Ato de retirar pigmentação artificial de modo a igualar a cor antes de fazer novo tingimento.
DESFRISAGEM. Ato de tornar lisos cabelos naturalmente crespos ou ondulados. O mesmo que alisamento.
ESCOVA. Modelagem do cabelo, alisando-o ou encrespando-o. Uso de secador e escova cilíndrica.
HIDRATAÇÃO. Uso de produto próprio para tornar normal o cabelo ressecado, com o auxílio de touca térmica. O mesmo que massagem. Ocorrem dois tipos de variação: a HIDRATAÇÃO A VAPOR, que amplia a ação da hidratação comum, por unificar as pontas; a HIDRATAÇÃO PROFUNDA, em que são usados dois tipos de produto: o primeiro, para abrir os poros do cabelo; o segundo, para unificar e dar brilho.
LÁPIS COLORIDO. Tipo de retoque feito ao redor do rosto, na raiz do cabelo, para colorir cabelos grisalhos. O retoque sai na lavagem do cabelo.
LUZES. Descoloração de mechas finas de cabelo, produzindo tom claro sobre tom escuro. O mesmo que brilho.
MASSAGEM. Uso de produto próprio para tornar normal o cabelo ressecado, com auxílio de touca térmica. O mesmo que hidratação. Apresenta a variação MASSAGEM COLORIDA, que consiste na hidratação do cabelo e na eliminação de pontas queimadas ou danificadas.
MECHA. Clareamento de porções largas de cabelo. Essas porções podem ser divididas usando touca de borracha ou de silicone, papel alumínio e o cabo do pente.
PENTEADO. Arrumação do cabelo. O PENTEADO ARTÍSTICO apresenta diferentes recursos e enfeites no acabamento.
PERMANENTE. Ato de encrespar cabelos lisos, produzir cachos. O mesmo que volumode. Apresenta as variações PERMANENTE AFRO, que consiste em encrespar cabelos naturalmente crespos, e PERMANENTE TINTURADO, que tinge o cabelo e aumenta o seu volume.
PIGMALIÃO. Tipo de corte em que o cabelo apresenta diferentes comprimentos, ficando mais curto na parte de cima da cabeça e mais comprido para baixo. O mesmo que camadas ou "dégradée".
PRANCHA. Alisamento quente para tirar a ondulação do cabelo e unificar as pontas. O mesmo que chapinha ou piastra.
REFLEXO. Clareamento de mechas finas de cabelo, produzindo tom claro sobre tom escuro.
RELAXAMENTO. Alongamento de cabelos crespos, trabalhando desde a raiz.
RINSAGEM. Aplicação de produto próprio, diferente de tinta, para colorir cabelos grisalhos ou bem descolorados. Menos duradoura que a tintura.
"SPRAY" COLORIDO. Produção de efeito provisório de tom sobre tom. O produto sai ao lavar o cabelo.
TINTURA. Coloração. Mudança da cor do cabelo, com produto à base de oxidante, em geral amônia, que penetra nas escamas do cabelo.
TOUCA. Ato de rodear o cabelo na cabeça, com o auxílio de pente e de pinças ou grampos, de modo a torná-lo flexível. Apresenta a variação TOUCA DE GESSO, que amplia a ação da touca comum, por também alongar cabelos crespos; depois de feita a touca, é aplicado o pó de gesso.
TRANÇA. Tipo de penteado em que é feito o cruzamento das mechas divididas no cabelo. Apresenta as variações: TRANÇA NORMAL, com o cruzamento das mechas feito de dentro para fora, e TRANÇA EMBUTIDA, com o cruzamento de fora para dentro.
Para aprimorar um pouco mais essa lista, resolvi colocar alguns outros termos que não apareciam no texto dela, mas tem certa relevância:
LEAVE IN. São condicionadores sem enxágüe. Por terem um conteúdo lipídico menor são mais leves e evitam o aspecto de cabelo engordurado (se a aplicação não for exagerada, logicamente)
PRODUTOS PARA DAR CORPO OU VOLUME. São produtos que possuem agentes químicos que retém água no cabelo, deixando-o hidratado e intumescido (“inchado”), o que confere uma sensação de mais volume ao fio.
PRODUTOS PARA DAR BRILHO. São produtos capazes de deixar a cutícula capilar (que são células achatadas, que se dispõe como “telhas de casa” sobre o fio capilar, protegendo-o) mais plana, assim, quanto mais plana estiverem, mais luz será refletida. É como olhar-se em um rio, se as águas estiverem paradas ele refletirá a sua imagem perfeitamente, já se uma brisa mover essas águas, não será mais possível ver o reflexo da luz.
XAMPU ANTI-RESÍDUO (ou Clarifying). São xampus que contem basicamente os detergentes/agentes de limpeza. Eles permitem a limpeza do fio sem deixar resíduos. É indicado para pessoas que tenham o costume de usar condicionadores sem enxágüe, spray fixador, ceras, géis e etc. Eles apresentam um pH a cima de 7 (alcalino) que provoca a abertura da cutícula. Isso possibilita uma limpeza maior. Mas é importante lembrar que esse tipo de xampu pode dar um aspecto de ressecado ao cabelo, por isso é importante a aplicação de um bom creme hidratante após o seu uso.
CERAS E POMADAS. São produtos à base de ceras capazes de resolver o problema dos cabelos arrepiados (ou “do frizz”). Eles ajudam também a moldar alguns penteados e aumentar o tempo de duração desses.
Existem ainda outros termos que não me ocorreram, mas se surgir alguma dúvida é só postar que eu tento responder!
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
A química do alisamento capilar
A procura por produtos e processos capazes de alisar os cabelos, é cada vez maior nos salões de beleza. Devido a isso, diferentes produtos e tipos de tratamento são oferecidos às clientes. Contudo, a diferença entre a ação dos ativos, os danos causados por esses e a efetividade do tratamento para cada tipo de cabelo são desconhecidas.
Com base nisso, fiz meu trabalho de conclusão de curso (lá na graduação ainda) sobre a ação desses ativos químicos, bem como a análise das formulações de produtos para o alisamento capilar disponíveis no mercado.
Encontrei quatro ativos com uso aprovado pela ANVISA:
- tioglicolatos (os mais usados pelos produtos de marcas famosas como L'Oreal, Wella, Schwarzkopf),
- hidróxidos (sódio, cálcio ou lítio),
- guanidina,
- pirogalol (O antigo Henê Pelúcia)
Suas ações modificam a estrutura capilar por rompimento (e posterior rearranjo) das pontes de dissulfeto (formada por 2 moléculas de enxofre), na estrutura da queratina, ou por transformação dessas mesmas ligações em pontes de sulfeto (formada por 1 molécula de enxofre). A primeira modificação não é definitiva e pode ser revertida (um cabelo alisado pode ser novamente encaracolado), todavia a segunda modificação é definitiva (irreversível).
A coerência do nome dos tratamentos, entretanto, com o tipo de ação do ativo, não existe. No mercado, tanto a “escova progressiva”, quanto a “escova definitiva”, não seguem um padrão de produto aplicado a cada uma. Na realidade o que muda apenas é a concentração do ativo, pois quanto mais concentrado ele estiver, mais pontes de dissulfeto ele irá modificar alisando mais os cabelos. Logicamente que existe uma concentração máxima para cada ativo. Também existe todo um trabalho de marketing que leva a criação de diferentes nomes para os mesmos tratamentos. Isso para chamar a atenção das clientes e diferenciar um novo produto no mercado, dai surgem a famosa escova de chocolate, escova marroquina, escova de morango (e de outra tantas frutas cheirosas).
Essas formulações contêm, além do ativo alisante, uma quantidade alta de agentes para reposição da porção lipídica (oleosa, responsável pela hidratação e brilho do fio), a qual é perdida durante o tratamento, deixando o cabelo mais frágil (suscetível a agressões de agentes externos como o sol, vento, secador de cabelo e chapinha) e com aparência ressecada. Por isso existe uma necessidade tão grande de hidratar periodicamente os cabelos que sofreram algum processo de alisamento.
Embora todas as formulações tenham quase sempre o mesmo ativo, com concentrações parecidas, a diferença entre cada uma irá se dar pelos chamados adjuvantes (que são os outros componentes presentes, além do ativo). Entre os principais adjuvantes estão: silicones, óleos (como o de castanha, buriti, macadâmia), algumas manteigas (como a de cacau) e essências. Óleos, silicones e manteigas têm como principal objetivo repor os ácidos graxos que ficam naturalmente ligados à superfície do fio de cabelo conferindo proteção, maleabilidade (que é a capacidade do fio de mover-se sem quebrar) e brilho. Já as essências (que muitas vezes são colocadas no nome do tratamento, como no casa da escova de chocolate/morango) são usadas para mascaras o odor desagradável que o ativo alisante tem (pelo que me informei, a escova marroquina usa uma forte essência de baunilha).
Embora exista a diferença teórica nos processos de alisamento, os tratamentos disponíveis no mercado não apresentam essa diferença nas suas nomenclaturas. É necessário procurar um profissional com uma experiência consistente no assunto para escolher o tipo de ativo, para gerar o resultado esperado. Assim como xampus e condicionadores, cada cabelo se adapta melhor com uma marca. Não há como definir qual a melhor formulação para cada cabelo, apenas qual o ativo.
Quando pensamos na possibilidade de um caseiro, embora mais barato, é preciso lembrar que ele é mais arriscado. O tempo de permanência dos produtos em contato com os cabelos pode ser mal controlado, gerando um alisamento deficiente (pelo tempo ter sido menor que o indicado) ou danos, como quebras do fio de cabelo, irreversíveis (por tempo de contato em excesso). Além disso, muitas pessoas não têm condições de identificar riscos de incompatibilidades entre ativos (SIM! Existe incompatibilidade entre esses ativos e até mesmo deles com tintas e outras químicas capilares!).Dessa forma, o mais seguro é a aplicação em salões de beleza, sob os cuidados de profissionais com conhecimentos mínimos no assunto. Para isso, a busca por salões mais experientes no mercado, que utilizam produtos registrados na ANVISA, é o ideal.
A motivação
Nas últimas décadas, a beleza tornou-se o alvo, tanto de mulheres como de homens, no mundo inteiro. Definida pelas tendências de cada época, a moda dita os padrões ideais. Nesse contexto, não se visa somente a “perfeição” em roupas, calçados e acessórios, mas também em pele, unhas e, principalmente, cabelos. Segundo o censo do Franchising 2000, salões de beleza movimentam 3,1 milhões de reais por ano, atendendo clientes dentre os quais muitos estão permanentemente insatisfeitos com sua aparência física.
O conceito da imagem corporal segundo Osório (1992) é uma representação de experiências passadas e presentes, reais ou fantasiadas, conscientes ou inconscientes; é a idéia que o indivíduo tem de si próprio.
A necessidade de adquirir uma adequação física e social é dinâmica e muitas vezes pode pressionar homens e mulheres a buscar a aceitação em seus grupos de iguais. A parti de uma não aceitação podem surgir tensões e conflitos que resultarão em sentimentos de ansiedade, inferioridade, baixa auto-estima e retraimento súbito ou gradual (Kaplan & cols., 1997). Segundo Outeiral (1994), o corpo, nesse momento, assume um importante papel na aceitação ou rejeição por parte "da turma".
Assim, a busca por uma melhora na aparência física, abre as portas para o grande mercado dos cosméticos. Produtos surgem com milhares de promessas que muitas vezes não se cumprem e o consumidor leigo acaba sempre tendo que "pagar para ver".
É nesse âmbito que surgiu a idéia do presente Blog.
Permitam-me que eu me apresente: Meu nome é Denise, sou mestre em ciências farmacêuticas (e agora doutoranda) na área de cosmetologia. Sempre fui uma apaixonada pela área cosmecêutica, mas sempre senti uma carência de informações sobre o assunto, principalmente para leigos. Assim resolvi criar esse Blog, para discutir sobre o que são, como funcionam, mitos e verdades sobre cosméticos!
Espero que todos apreciem e participem através de discussões e informações!
O conceito da imagem corporal segundo Osório (1992) é uma representação de experiências passadas e presentes, reais ou fantasiadas, conscientes ou inconscientes; é a idéia que o indivíduo tem de si próprio.
A necessidade de adquirir uma adequação física e social é dinâmica e muitas vezes pode pressionar homens e mulheres a buscar a aceitação em seus grupos de iguais. A parti de uma não aceitação podem surgir tensões e conflitos que resultarão em sentimentos de ansiedade, inferioridade, baixa auto-estima e retraimento súbito ou gradual (Kaplan & cols., 1997). Segundo Outeiral (1994), o corpo, nesse momento, assume um importante papel na aceitação ou rejeição por parte "da turma".
Assim, a busca por uma melhora na aparência física, abre as portas para o grande mercado dos cosméticos. Produtos surgem com milhares de promessas que muitas vezes não se cumprem e o consumidor leigo acaba sempre tendo que "pagar para ver".
É nesse âmbito que surgiu a idéia do presente Blog.
Permitam-me que eu me apresente: Meu nome é Denise, sou mestre em ciências farmacêuticas (e agora doutoranda) na área de cosmetologia. Sempre fui uma apaixonada pela área cosmecêutica, mas sempre senti uma carência de informações sobre o assunto, principalmente para leigos. Assim resolvi criar esse Blog, para discutir sobre o que são, como funcionam, mitos e verdades sobre cosméticos!
Espero que todos apreciem e participem através de discussões e informações!
Assinar:
Postagens (Atom)
A Estrutura da Pele
A pele é o maior órgão do corpo humano, composta por três camadas: a epiderme, a derme e a hipoderme (camada mais interna de tecido adiposo). Ela atua como uma barreira protetora, prevenindo a perda de água e bloqueando a entrada de agentes exógenos.
Epiderme: é constituída de várias camadas de queratinócitos (células responsáveis pela produção de queratina) em diferentes estágios de maturação. Essa é a camada responsável pela prevenção da desidratação das demais camadas. Na epiderme está o extrato córneo, que é a parte mais externa da epiderme. O extrato córneo é a barreira protetora contra a penetração de substâncias estranhas ao corpo.
Derme: é um tecido elástico e resistente que proporciona resistência física ao corpo inteiro. Essa camada fornece os nutrientes para a derme e é formada por células como fibroblastos, granulócitos, colágeno, elastina, glicosaminoglicanos e glicoproteínas.
Epiderme: é constituída de várias camadas de queratinócitos (células responsáveis pela produção de queratina) em diferentes estágios de maturação. Essa é a camada responsável pela prevenção da desidratação das demais camadas. Na epiderme está o extrato córneo, que é a parte mais externa da epiderme. O extrato córneo é a barreira protetora contra a penetração de substâncias estranhas ao corpo.
Derme: é um tecido elástico e resistente que proporciona resistência física ao corpo inteiro. Essa camada fornece os nutrientes para a derme e é formada por células como fibroblastos, granulócitos, colágeno, elastina, glicosaminoglicanos e glicoproteínas.
![]() |
A Estrutura do Cabelo
O fio de cabelo é formado pelos seguintes componentes: a cutícula, o córtex e a medula.
Cutícula: é constituída por proteínas, é parte mais externa do fio, sendo responsável pela proteção das células do córtex. É a camada cujas propriedades estruturais servem de proteção contra influências externas, ela é responsável pelo ingresso e egresso de água, o que permite manter as propriedades físicas da fibra. É formada por células escamosas de queratina que se sobrepõem umas as outras, lembrando escamas de peixe, formando uma cobertura.
Cortex: ocupa a maior área seccionada do fio (75 %) e é constituído por células ricas em ligações cruzadas de cistina (enxofre) e células rígidas separadas uma a uma por uma membrana celular. O córtex é formado por macrofibrilas de queratina alinhadas na direção do fio. Distribuídos aleatoriamente no córtex estão os grânulos de melanina cujo tipo, tamanho e quantidade determinam a cor do cabelo.
Medula: No interior do córtex está localizada a medula, porém esse componente pode estar presente ou ausente ao longo do comprimento do fio.
Cutícula: é constituída por proteínas, é parte mais externa do fio, sendo responsável pela proteção das células do córtex. É a camada cujas propriedades estruturais servem de proteção contra influências externas, ela é responsável pelo ingresso e egresso de água, o que permite manter as propriedades físicas da fibra. É formada por células escamosas de queratina que se sobrepõem umas as outras, lembrando escamas de peixe, formando uma cobertura.
Cortex: ocupa a maior área seccionada do fio (75 %) e é constituído por células ricas em ligações cruzadas de cistina (enxofre) e células rígidas separadas uma a uma por uma membrana celular. O córtex é formado por macrofibrilas de queratina alinhadas na direção do fio. Distribuídos aleatoriamente no córtex estão os grânulos de melanina cujo tipo, tamanho e quantidade determinam a cor do cabelo.
Medula: No interior do córtex está localizada a medula, porém esse componente pode estar presente ou ausente ao longo do comprimento do fio.
![]() |







.jpg)













